Juventude Revolução
 
Resposta à carta da auto-denominada "Juventude Revolução Independente"

UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA


Foi com enorme surpresa que recebemos vossa carta pretendendo participar do 8º Encontro Nacional da Juventude Revolução.

A surpresa vem do fato que desde há um ano não mantivemos qualquer contato politico, pois vocês decidiram seguir um rumo totalmente distinto da Juventude Revolução (JR) , abandonando, em consequência, qualquer relação política com a JR.

A questão, cuja discussão se arrastava desde há dois anos, era a decisão de vocês montarem uma "Empresa Revolução"

Há um ano, então, o Conselho de Coordenações Municipais da JR, realizado em maio de 2003, discutiu esta aberração e adotou um resolução auto-explicativa, que relembramos a todos:


"POR QUE A 'EMPRESA REVOLUÇÃO' É INCOMPATÍVEL COM A JR

No final de 2002, o Comitê Nacional de Ligação da JR recebeu texto do militante Lucas de Florianópolis. O texto continha posições totalmente estranhas à JR. O Comitê Nacional de Ligação da JR produziu uma resposta ao texto de Lucas. Ambos os textos, bem como uma resolução do Comitê Nacional de Ligação da Juventude Revolução qualificando as posições expressas no texto de Lucas como contraditórias com os princípios da JR, foram enviados a todas as Coordenações municipais da JR no Brasil.

Resumimos aqui o que está em jogo nessa importante discussão.

Lucas propõe a criação de uma excêntrica novidade, a chamada "Empresa Revolução". Pretende-se criar uma rede de sustentação da JR onde, segundo Lucas, "produzimos materiais que serão vendidos pelos militantes, por lojas, por bancas de jornais, por bares, camelôs, pela internet, etc. 50% do lucro da venda efetuada pelo militante é dele, o restante é para pagar a confecção dos produtos e 50% do lucro é acumulado pela JR".

As vendas seriam efetuadas por colaboradores, que são um "misto de investidor e trabalhador. Colaborarão com seu trabalho regular, utilizando um horário pré-estabelecido entre colaborador e Empresa."

Logo, Lucas pretende organizar uma rede do tipo Amway, onde militantes são remunerados de acordo com sua produtividade como vendedores. Ou seja, segundo ele, passaríamos a estimular que os militantes passassem a viver da JR e do movimento, vendendo as mais diversas mercadorias. Ou seja, a JR vira uma mercadoria.Tudo em nome da Revolução...

Ora, em São Paulo, os militantes da JR tem tido êxito vendendo CD`s de músicas contra a guerra como forma de arrecadação financeira de nossas atividades. No entanto, cada militante presta conta de cada um dos CD`s que vende, e cada centavo arrecadado é repassado para o tesoureiro da JR, que utiliza esse dinheiro para financiar novas faixas, panfletos etc. Agora, imaginem se cada um buscasse através da venda de CD`s seu sustento pessoal...Não seria isso um passo para transformar a JR numa organização movida pelo cimento do dinheiro, e mesmo da corrupção?

Mais do que isso, a "Empresa Revolução" significa exploração e desregulamentação do trabalho da juventude, contra a qual a JR sempre combateu.

Perguntamos a Lucas, presidente da "Empresa Revolução" de Floripa, e tesoureiro da JR naquela cidade, se ele pretende garantir o décimo-terceiro salário, direito às férias e horas-extras para os jovens que trabalhem em sua Empresa?

Lucas aponta com razão o problema financeiro da maioria dos jovens brasileiros. No entanto, a resposta da JR é a luta por verdadeiros empregos, com verdadeiros salários, e com todos os direitos garantidos, conforme aprovamos no nosso último encontro nacional. E a "Empresa" de Lucas é justamente o inverso disso. Trata-se de uma política de decomposição social incentivada, inclusive, pelo Banco Mundial que fomenta políticas de "geração de renda" na chamada "economia informal", onde a falta de direitos é a regra.

E o mais irônico de tudo, é que na cidade de Joinville, primeiro objetivo do "plano" de Lucas, os militantes da JR levam um duro combate em defesa de 1000 empregos ameaçados da fábrica de plásticos CIPLA. Junto com os operários da CIPLA, a JR luta também contra a exploração dos "estágios" sem direitos. Será que os jovens de lá embarcarão na aventura de Lucas?

Estamos certos que não. Nem em Joinville, nem em nenhum lugar do Brasil. Nosso combate se concentra nas escolas, bairros, faculdades e fábricas em defesa de uma organização séria e combativa, que busque ser financiada através da solidariedade dos que nos apóiam, e não através de nenhuma suposta "Empresa".

Por isso, chamamos a todos os núcleos da JR, bem como a todos as coordenações municipais tomarem a única posição possível: considerar a "Empresa Revolução" incompatível e fora dos quadros da Juventude Revolução".

Esta foi a posição que votamos há um ano, contra a posição de vocês que defendiam a "Empresa". Relembremos o esforço que foi feito para vos convencer a abandonar esta desastrosa posição. Na época inclusive, o CNL da JR fez um esforço financeiro para estar presente em Florianópolis para tentar convencê-los.

O fato é que vocês infelizmente continuam e aprofundam esta "empresa" estranha à JR, e como podemos ver através da Resolução do Encontro Municipal da "JRI-Fpolis": "Está reforçada a política de Empresa da Revolução, pelo bons resultados políticos e financeiros obtidos e divulgados nos balancetes mensais da responsável de finanças da gestão 2003 da DM."

Se não bastasse a questão da Empresa Revolução, nos fatos vocês estão cada vez mais distantes da JR.

As coisas são concretas: a mesma "JRI" que quer participar agora do encontro nacional da JR nunca mais entrou em contato com o CNL da JR, não participou da Plenária Nacional da JR, em fevereiro, não está tocandoas campanhas da JR, não trabalha com os materiais da JR etc.

Está mais do que claro que vocês se separaram de nós:

- Onde está a "JRI", quando a Juventude Revolução organiza uma campanha nacional contra o envio de tropas ao Haiti, colhendo mais de 5200 adesões no país?

- Onde está a "JRI" no movimento estudantil, nas atividades da UBES e da UNE, quando a Juventude Revolução combate contra as cotas, as drogas, pelo ensino público?

- Onde está a "JRI" quando em seu próprio Estado, militantes da Juventude Revolução há um ano e meio sustentam diretamente a ocupação de uma fábrica (CIPLA/Interfibra) sob ameaça da polícia, numa campanha pela estatização?

Mesmo quando a "JRI" propõe alguma coisa prática, nos fatos ela se mostra a anos luz de distância da Juventude Revolução.

Tomemos como base a proposta de "Encontro Nacional pelo Passe-Livre", em Florianópolis. Deixemos de lado de que o Encontro ignora completamente a unidade dos estudantes e de suas entidades. Deixemos de lado o fato de que no último Congresso da UBES quando a Juventude Revolução tinha como um dos seus eixos a questão do passe-livre, a "JRI" não estava presente para apresentar essa proposta, aliás, estava ausente para apresentar qualquer outra, do mesmo modo que no congresso da UNE. Deixemos tudo isso de lado.

O fato é que vocês convocam um "Encontro Nacional pelo Passe livre", com pauta, data e local, sem discutir, nem sequer consultar... a Juventude Revolução, organização da qual vocês pretendem ser uma fração pública! E depois disso, vocês querem agora participar do Encontro Nacional da JR?

Ora, deixemos de lado as manobras, vamos ser sérios!

O abismo que separa a Juventude Revolução da "JRI" não parou de crescer neste ano que passou. Foi com espanto que vimos a Resolução do Encontro Municipal de Fpolis, onde vocês propõem para as próximas eleições a palavra de ordem "Jovem vote em você. Entre para a Juventude Revolução Independente".

Esqueçamos por um momento o voto nulo, o que nunca foi a posição da Juventude Revolução. O fundo do problema é que trata-se uma posição que solenemente despreza a questão da aliança da juventude com a classe operária e suas organizações.

Para alem da questão eleitoral, vocês ignoram completamente a questão da necessidade da organização independente dos trabalhadores.

Como, então, pretender reivindicar o socialismo? Como chegar lá, se não for a classe operária a expropriar a propriedade privada dos meios de produção, e sobre essa base edificar um novo Estado Como seria ? Acaso seria pela extensão da 'empresa revoluçao'? Ou seria por um partido jovem?

No último encontro da Juventude Revoluçãoaprovamos a linha de voto por um governo do PT que rompa com o FMI, lembrando que essa discussão continuou na plenária de fevereiro e continuará no Encontro, porque buscamos a aliança com a classe operária e nos reconhecemos na luta pela independência de classe que originou o PT como autentica representação política dos trabalhadores.

Enquanto vocês dividem os jovens do proletariado, dizendo, na prática: jovem separe-se da única classe que pode garantir-lhe um futuro! Não é para esse beco sem saída que a Juventude Revolução vem sendo construída há anos!

Lembramos por fim que as delegações ao Encontro da Juventude Revolução está sendo preparada em várias cidades, de vários Estados, com reuniões baseadas em textos políticos, financiada com carnês de pagamento e com atividades de arrecadação financeira, tudo isso impulsionado pelo CNL.

Nesse sentido, a afirmação de vocês virem com 2 ônibus, para além da incompatibilidade políticas já exposta, não condiz com a democracia:

- O encontro da Juventude Revolução não é composto de ônibus, nem de peruas ou bicicletas. A JR é uma organização feita por militantes de carne e osso, unificadas por um programa político, e segue regras financeiras comuns. A isso chamamos democracia.

É diferente de outras organizações e grupos degenerados onde vale a regra - 'quem dá um jeito de trazer mais gente, leva!'.

Por tudo isso, é mais do que evidente, que não há espaço para a Juventude Revoluçãoe para uma "JRI" num mesmo encontro, num mesmo espaço.


A JUVENTUDE REVOLUÇÃO É UMA COISA, A AUTO-DENOMINADA 'JRI' É OUTRA COISA.

Vocês escolheram um caminho. A menos que o reconsiderem - e os materiais enviados os reafirmam - a única conclusão que podem tirar, é seguir seu próprio caminho.

Outra conclusão seria uma manobra pueril, ou coisa pior, que será firmemente rechaçada pela Juventude Revolução.


Comitê Nacional de Ligação da Juventude Revolução

CARTA ENVIADA


Companheiros,

Venho através desta comunicar a participação da Juventude Revolução - Independente, fração interna que luta pela independência da Juventude Revolução, de participação no 8º Encontro Nacional da JR, convocado para julho.

A despeito do processo levado à cabo pela direção da corrente O Trabalho (PT) de tentativa de expulsão dos camaradas de Fpolis, continuamos construindo esta organização, estando assim em pleno direito de participação.

A propósito, gostaríamos de levar dois ônibus, ao invés de apenas um, como fizeramos no Encontro anterior.

Marcelo Pomar
Lucas de Oliveira

quarta-feira, 30 de junho de 2004

Comitê Nacional da Juventude Revolução

Fale com a Juventude Revolução: contato@revolucao.org