Juventude Revolução
 
Estudantes lutam por Universidade Federal em Osasco

Estudantes lutam por Universidade Federal em Osasco

Sob coordenação da Juventude Revolução, estudantes dos ensinos fundamental, médio e universitário reuniram-se sábado (28 de agosto), no Sindicato dos Bancários, para organizar um movimento por uma universidade federal em Osasco, já que a cidade conta com sete estabelecimentos de ensino superior particulares (já foi anunciado o oitavo para o ano que vem), que atendem aproximadamente 25 mil universitários. Osasco é o quinto maior município do Estado de São Paulo, com cerca de 650 mil habitantes, segundo o IBGE/2000, e não ostenta nenhuma universidade pública.

Os estudantes colherão em abaixo-assinados, nos próximos 15 dias, cinco mil adesões ao movimento, a fim de marcar uma audiência com o presidente da Câmara Federal, João Paulo Cunha, cobrando dele, que foi eleito deputado pela cidade osasquense, um compromisso com a luta. O abaixo-assinado apresenta informações importantes sobre o atual cenário dos universitários e do ensino superior na região, filão para os tubarões do ensino que tem ganhando muito dinheiro neste setor. Para confrontarmos isto basta fazer o cálculo: são 25 mil estudantes que pagam uma média de R$ 500,00 por mês. O que resulta uma arrecadação bruta de quase 150 milhões de reais!, ou seja, quase um terço do orçamento municipal.

Ronilson Oliveira de Araújo, estudante de história em uma instituição privada sente na pele a terrivel situação em que o estudante de uma universidade paga está submetido: “A universidade onde estudo parece um grande shopping center”. Mesmo com bolsa, o universitário não tem condições de arcar com as mensalidades. Em Osasco, a inadimplência gira em torno de 30%. “A Educação deve ser voltada para a humanização das pessoas e a escola é o espaço onde vamos socializar o conhecimento. Por isso, por isso tem de ser gratuito”, conclui.

Por que federal?

Durante a reunião, discutiu-se a importância de se criar um movimento para lutar pela instalação de uma universidade federal na cidade, pois, segundo a Constituição de 1988, o governo federal é o responsável pelos investimentos no ensino superior. “Só no ano passado, foram pagos de dívida externa R$ 140 bilhões. Se a União aplicasse pelo menos 10% deste valor na Educação já seria um investimento de R$ 140 milhões no setor”, calcula Leonardo Escobar.
Os estudantes destacaram a importância de a universidade ser federal, pois nem o município, nem o Estado suportariam os gastos com o ensino superior.

Para as universidades estaduais são destinados apenas 9,25% da arrecadação do ICMS, dividida entre USP, Unesp e Unicamp. A estudante da FAU/USP, Luciana Yano, explicou que a opção por uma unidade estadual na cidade diminuiria ainda mais os investimentos nessas instituições, que saíram recentemente de uma greve de mais de dois meses, por aumento de salário e por mais verbas.

Além de os estudantes contarem com um ensino de qualidade e gratuito, a população também sai ganhando, pois as instituições públicas devem promover o ensino, a pesquisa e a extensão de serviços para a comunidade. Como não estão vinculadas a interesses privados, suas pesquisas voltam-se para estudar os problemas sociais latentes da região.

Interessados podem entrar em contato com o movimento pelo e-mail Osasco.sp@revolucao.org ou pelo telefone 3681-7400, ramal 262, falar com Leonardo ou Felipe Kasteckas (9897-6195).

Presentes na reunião
Leonardo C. S. Escolbar, estudante de economia (PUC-SP)
Ronilson Oliveira de Araújo, estudante de história (Uninove)
Luciana Yano (FAU-USP)
Márcia Gibin Garcia (Unifieo)
João Henrique Anastácio (Brito)
Raiane D. Cardoso (estudante do ensino médio)
Franciele Nascimento Dantas (Educafro)
James Mayson Silveira (Educafro)
Paulo G. B. da Silva (Brito)
Muriane R. Ramos (Fito)
Danilo de Lira Santos (Técnico Informática)
Natália Bezerra Silva (FITO)

segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Fale com a Juventude Revolução: contato@revolucao.org