Juventude Revolução
 
Revolution Youth (EUA): As eleições dos Estados Unidos e os sistema de dois partidos

[ NOTA DO EDITOR: Texto publicado no jornal da Revolution Youth, organização estadunidese de jovens componente da Internacional Revolucionária (IRJ) sobre as eleições nos EUA. Mais o site da Revolution Youth é o www.theorganizer.org/revolutionyouth ]

Conforme se aproxima as eleições presidenciais estadunidese é importante recordar que os Democratas e os Republicanos, longe de serem forças contrapostas, são nas realidade metades complementares de um único sistema de dois partidos controlados pelas multinacionais estadunideses. O militante latino "Corky" González explicava que é "um animal de duas cabeças que se alimenta dos mesmo".

Os Democratas são financiados e controlados pelas multinacionais, mas se apresentam como "defensores da gente comum", historicamente fazem promessas durante as campanhas e as esquecem uma vez eleitas. Por exemplo: Clinton foi eleito porque prometia assistência de saúde universal, mas uma vez no governo destruiu a Medicare, aprovou o Tratado de Livre Comércio da América do Norte e com suas sanções criminosas contra o Iraque foi responsável pela morte de centenas de milhares de crianças iraquianas

De modo semelhante as prioridades do imperialismo estadunidese guiarão as ações do próximo presidente tanto no interior como no exterior, pertença ao partido que pertença. A tática dos partidos pode diferir - ocupação unilateral ou multilateral do Iraque, Área de Livre Comércio das Américas com ou sem emendas- mas os objetivos finais são os mesmos. Kerry reafirmou na recente Convenção Nacional Democrata sua lealdade aos patrões, prometendo livrar "a guerra contra o terror e no Iraque de maneira mais efetiva".

O sistema bipartidário é um mecanismo de auto-correção que oscila de um a outro partido para manter a dominação da política das multinacionais. Quando os republicanos se fazem impopulares, o papel dos Democratas é desviar a crescente oposição canalizando-a para terrenos seguros. Por isso hoje estão surgindo movimentos anti-guerra que "deixe a rua se oriente para as urnas". Logo, quando eles continuam a mesma política reacionária (envolta em retórica mais "liberal") e continuam as guerras, os sindicatos são atacados, se baixa o nível de vida, etc. o ciclo pode começar de novo.

Se Kerry é eleito, seu "republicanismo light" não faria senão preparar o caminho a uma futura vitória republicana em 2008 ou em 2012. O ciclo continuará até que verifiquemos que é impossível derrotar o "maior" mal apoiando uma versão vergonhosa do mesmo mal.

Além disso, todas as grandes conquistas de nossa história foram produto da ação direta de movimentos independentes dos grandes partidos, e contra eles. Desde a Guerra Civil, sem exceção, o Partido Democrata se opõem a toda a luta de massas pela democracia e pela justiça social. Incluindo a luta pela educação pública gratuita, pelo direito a formar sindicatos, pelo direito de voto das mulheres e dos afroamericanaos, contra a guerra do Vietnã, etc. como dizia Howard Zinn, "O que de verdade conta é ocupar as ruas e as fábricas, não a Casa Branca".

A Revolution Youth está de acordo com os que dizem que "temos que fazer algo para derrotar Bush". Achamos que a única maneira efetiva de fazer é organizando. Lutas de massas independentes - como o movimento anti-guerra ou a greve de 70.000 trabalhadores da alimentação na Califórnia - tem potencial para não apenas deixar para trás os ataques bipartidaristas que nos levem, sem chegar a derrubar o sistema de exploração capitalista que está na raiz dos problemas da humanidade.

De modo que se ainda pensa em votrar em Kerry nas eleições deste ano, tenha presente estas palavras do famoso socialista dos EUA, Eugene Debs: "É melhor votar pelo que quer e não conseguir do que votar pelo que não quer e conseguir".

"A terra é para todo o mundo. Essa é a exigência. A propriedade e o controle coletivo da industria e sua gestão democrática para o interesse de todo o povo. Essa é a exigencia. O fim da luta de classes e da dominação de classe, do amo e do escravo, da pobreza e da vergonha - o nascimento da liberdade, o amanhecer da fraternidade. Essa é a exigencia". Eugene Debs.

Tradução: Pedro Santinho

terça-feira, 12 de outubro de 2004

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