Juventude Revolução
 
Aos artistas e trabalhadores do campo e da cidade

AOS ARTISTAS E TRABALHADORES DO CAMPO E DA CIDADE
EXIGIMOS A VALORIZAÇÃO DA NOSSA CULTURA,
DA NOSSA ARTE E DO NOSSO TRABALHO!

Somos artistas e arte-educadores! Fazemos parte da classe trabalhadora! Somos trabalhadores do palco, da sala de ensaio, do canto, das cordas, sopro e percussão! Somos trabalhadores das coxias, das mesas de som e luz! Somos trabalhadores do pincel, da argila, da ilha de edição! Somos trabalhadores do riso, dos malabares, do nariz vermelho! E como trabalhadores que somos, lutamos por nossos direitos!

Tomamos conhecimento de que trabalhadores do campo e da cidade estão organizando um Encontro Nacional em defesa da independência das organizações dos trabalhadores para exigir do Governo Lula: estatização das fábricas ocupadas pelos trabalhadores; reforma agrária, começando com o assentamento imediato de 1 milhão de famílias sem-terra; re-estatização das ferrovias e todas as empresas e serviços públicos privatizados; soberania nacional. O Encontro é convocado por mais de 100 entidades e movimentos dos trabalhadores do campo e da cidade de todos os cantos do Brasil.

Assim como os trabalhadores do campo e da cidade, também estamos perplexos com o Governo que, junto com o povo brasileiro, elegemos para promover mudanças e que até agora só nos fez esperar - e por fim nos indigna com as denúncias de corrupção que a cada dia que passa se multiplicam. Desde a época da ditadura militar, os trabalhadores da música, das artes cênicas e das artes plásticas e visuais desempenharam importante papel nas lutas sociais e políticas por uma sociedade mais justa e, inclusive, ajudamos a eleger este Governo para mudar a atual ordem sócio-econômica!

Não podemos aceitar que nossas reivindicações pelo acesso e valorização da arte e da cultura brasileira sejam negadas por este Governo. No último período nos manifestamos pela liberação das verbas do Ministério da Cultura que, além de ser a menor dotação de todos os ministérios – apenas 0,34% do orçamento – estão contingenciadas. Lutamos também por mais verbas para a Cultura (aumento para 2%). O Governo Lula alega que não há recursos, no entanto, vemos nos jornais o mesmo Governo adiantando bilhões de reais para o pagamento de juros da dívida aos banqueiros que bateram todos os recordes de lucro da história! Exigimos mais verbas para que haja implementação e manutenção de ações públicas com programas de fomento à criação, fruição e circulação de arte, que se destinem ao usufruto da maioria da população brasileira e não apenas da elite que vem se beneficiando das ações pontuais e discriminatórias do Estado.

Ao mesmo tempo, a desregulamentação das categorias de trabalhadores do circo, do teatro, da dança, da música, das artes plásticas e visuais, assim como dos arte-educadores, se perpetua e se aprofunda sob o Governo Lula. Muitas vezes nos perguntam: “Você é artista? E o que você faz pra viver? Você não trabalha?” A arte é o nosso ofício, porém nossos direitos trabalhistas não estão plenamente assegurados como os de outras categorias. Precisamos de reconhecimento, valorização e regulamentação do nosso trabalho. Na rede pública de educação básica, por exemplo, a arte-educação é deixada de lado, continua em crescente desvalorização e com isso as crianças brasileiras aprendem desde cedo que a arte e a cultura não são tão importantes para o seu crescimento. Se isso continuar, como podemos esperar que os profissionais de arte sejam valorizados?

Por entendermos que essas lutas são comuns a toda a classe trabalhadora, com nossas bandeiras, nos somamos ao Encontro Nacional dos Trabalhadores do Campo e da Cidade que será realizado em 04 de Setembro de 2005, na Quadra do Sindicato dos Bancários, no centro da cidade de São Paulo.

Chamamos todos os companheiros de arte a fazer o mesmo!


Assinam este texto

Maringoni (cartunista);
Américo Córdula (ator, Fórum Permanente de Culturas Populares);
Caio Dezorzi (ator, arte-educador);
Roberta Ninin (Sambaqui);
Alan Livan (Bandalheira);
Mario Bolognesi (artista circense, professor do Instituto de Artes da Unesp);
Iná Camargo Costa (pesquisadora de teatro);
Alexandre Mate (professor Instituto de Artes/Unesp, diretor do Canhoto Lab. Teatral);
Prila Paiva (artista plástica);
André Murrer (ator, Engenho Teatral);
Alex Freire de Aquino (coordenador - projeto Cinema Duro);
Evill Rebouças (ator, diretor, ArteHumus);
Márcia de Barros (Teatro Fábrica São Paulo);
Livia Goldzvaig (cantora, Trombada Auê);
Paulo Celestino (ator, Grupo XIX de Teatro);
Nireuda (xilogravurista);
Iraci Lima (atriz, bailarina);
Juliana Leitão (Nu Frontal);
Denise Rachel (atriz, Grupo Alerta!);
Vinicius M. Camargo (cantor, compositor);
Anna Izzo (artista plástica);
Humberto Luiz (ator);
Hênry Mori (diretor, Finas Vísceras Cia Teatral);
Gustavo Mineiro (cantor, compositor);
Marília Carbonari (atriz);
Bakhy (músico);
Davi Stracci (ator, cantor);
Daniel Feldman (guitarrista, Os Claudionores);
Alex Minoru (ator, arte-educador);
Perla Frenda (atriz);
Nelson Galvão (ator, arte-educador);
Ana Carolina Marret Costa (artista plástica, arte-educadora);
Adolfo Alan (violonista);
Henrique Guimarães (ator, arte-educador).



Informações sobre o encontro:
Caio Dezorzi: (11)6128-2337 - (11)9843-4623 - caiodezorzi@yahoo.com.br
Roberta Ninin: (11)9721-6226 - rocrisninin@yahoo.com.br
Organização: encontrocampocidade@yahoo.com.br

domingo, 28 de agosto de 2005

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