Juventude Revolução
 
9º Encontro Nacional da JR: DECLARAÇÃO FINAL

A P R E S E N T A Ç Ã O

A Juventude Revolução (JR) realizou seu 9º Encontro Nacional nos dias 13, 14, 15 e 16 de Julho. O Encontro contou com a presença de jovens de 20 cidades de 5 Estados do Brasil (MG, MT, RJ, SC e SP) e com a saudação de militantes de Pernambuco que não puderam estar presentes.

Sua organização esteve sintonizada com a organização da Caravana das Fábricas Ocupadas a Brasília e com a heróica luta dos estudantes da FUPESPP (fundação municipal de Paulínia) que acamparam e se manifestaram por 40 dias contra o fechamento de sua faculdade e agora lutam pela FEDERALIZAÇÃO.

A Juventude Revolução esteve junto com estes estudantes em sua luta e recebeu com imensa felicidade a notícia de que após negociações com o prefeito, a faculdade foi reaberta e abriu-se negociações para a FEDERALIZAÇÃO ou ESTADUALIZAÇÃO.

Uma delegação de estudantes da FUPESPP participou do 9º Encontro Nacional e foi a Brasília junto com a Juventude Revolução na Caravana das Fábricas Ocupadas exigir do governo Lula a FEDERALIZAÇÃO da FUPESPP. Mas essa luta só começou e a Juventude Revolução está comprometida com ela até o fim.

Nosso Encontro aconteceu na Flaskô – fábrica ocupada e controlada pelos trabalhadores – em Sumaré/SP sob o abrigo dos trabalhadores da fábrica que, junto com os trabalhadores da Cipla e Interfibra (SC) lutam há mais de 3 anos pela Estatização das fábricas ocupadas para defender seus empregos e direitos. Esse Encontro reafirmou o apoio da Juventude Revolução, que esteve ao lado dos trabalhadores da Cipla, Interfibra e Flaskô desde a greve na Cipla, em cada piquete, em cada manifestação até hoje. E reafirmamos que estaremos juntos, recusando qualquer forma de adaptação como as cooperativas que integram o movimento ao mercado capitalista e abre mão de direitos, até o fim na luta pela Estatização.

Os debates do Encontro foram precedidos de um Campo de Formação que tratou do Manifesto Comunista de Marx e Engels. A Juventude Revolução é uma organização de jovens contra a exploração, a opressão, a guerra e na luta pelo socialismo no Brasil e no mundo. Nos organizamos a partir da necessidade que todos os jovens têm de lutar pelo direito a ter um futuro de verdade sem guerras, drogas e violência. Queremos educação, trabalho, diversão e arte! Por isso rejeitamos o capitalismo, sistema podre baseado na propriedade privada dos meios de produção, que explora e oprime os trabalhadores, a juventude e destrói o planeta e a humanidade.

Como Marx e Engels, compreendemos que para conquistarmos o socialismo é preciso uma revolução social. Para realizar essa revolução, os sindicatos, centrais sindicais, grêmios, DCEs, não são suficientes. É preciso organizar a classe trabalhadora em partido, um partido revolucionário. A Juventude Revolução, a partir de seu Encontro Nacional, se soma a todos aqueles que em todo o Brasil lutam pela construção de um Partido Operário Independente que sirva de instrumento para dirigir a classe trabalhadora brasileira na luta pelo socialismo.

A Juventude Revolução e a luta de classes no Brasil

Lula foi eleito em 2002 pelas amplas massas trabalhadoras e pela juventude, para mudar a condição de vida do povo, para restabelecer a soberania nacional, colocar o destino do país sob os interesses do povo. Porém o que estamos presenciando nesses três anos e meio de governo Lula não responde às expectativas da juventude e do trabalhador.

Quem não se enojou ao ver Lula dando uma churrascada pro Bush em Novembro de 2005, com direito a abraço e tudo mais, enquanto pagava adiantado uma dívida pro FMI, legitimando o saque dos recursos que nosso país produz para encher o bolso dos banqueiros internacionais?

Nas ruas a Juventude Revolução junto aos jovens de todos os cantos gritava: FORA BUSH E SUA POLÍTICA!

Neste ano devem ocorrer eleições presidenciais no Brasil. Alckmin é o candidato burguês número 1 da oposição e é claro que a juventude jamais apoiaria um tucano, ainda mais depois da era FHC.

Por outro lado, Heloisa Helena do PSOL se apresenta como a candidata da esquerda. Embora se apresente como a candidatura da ruptura com o imperialismo, o discurso de campanha tem tom de ética na política e orçamento transparente, como o Lula de 2002.

Enquanto isso, os trabalhadores não aceitam a divisão e não embarcam em aventuras eleitorais. Construiram por mais de 20 anos o PT para atender suas necessidades e não podem se render e abandonar o combate. Por isso não embarcam na candidatura de Heloisa Helena que não encontra espaço na classe operária.

Ao mesmo tempo, os jovens se perguntam o que mudou nesses 3 anos e meio de Governo Lula? Para quê Lula pede o nosso voto: para continuar a aplicar a política do imperialismo que sangra a nação brasileira em favor do pagamento da dívida externa e dos lucros dos banqueiros internacionais ou para atender os trabalhadores e a juventude?

Os trabalhadores sem-terra continuam sem terra e estão sendo mais assassinados no campo do que antes; os trabalhadores que ocuparam fábricas continuam a exigir sua estatização na luta para manter seus empregos e estão ameaçados de prisão; as empresas continuam demitindo (apesar da propaganda do Governo que o desemprego diminuiu); as empresas e serviços públicos continuam privatizados – agora até a Amazônia está sendo privatizada; os que tinham fome, continuam com fome (apesar da propaganda do Governo da esmola que é a Bolsa-Família); a maioria dos jovens continua sem acesso à Universidade Pública (apesar da propaganda do Governo sobre o PROUNI, que veio para desviar verbas públicas para o bolso dos tubarões do ensino pago); os estudantes das pagas estão cada vez mais sufocados pelas altas mensalidades; os estudantes em geral continuam sem o passe-livre estudantil; o povo trabalhador continua sem acesso à saúde, à moradia, à vida digna! Os cofres públicos continuam sendo saqueados para o pagamento da dívida externa que continua cada vez maior!

E neste ano de 2006, os ataques se intensificaram. A pedido da UNE, com base na resolução aprovada no 11º CONEB (Conselho Nacional de Entidades de Base)da UNE, o governo reenviou o projeto de reforma universitária ao congresso e agora a contra-reforma universitária do governo tramita em regime de urgência. A Juventude Revolução luta pela constituição de um comitê nacional para barrar essa Reforma Universitária.

A posição da UNE foi definida no CONEB como sendo de apoio à reforma. Não podemos ficar amarrados. Existe, no seio da UNE, uma forte resistência que deve se organizar para cobrar do governo Lula nossos direitos: Somos pela revogação da Lei de Mensalidades, pela rematrícula de todos os inadimplentes. Somos pelo Fim do Ensino pago, por vagas pra todos nas Universidades Públicas. Somos por verbas públicas só para Universidades Públicas.
Somos pelo passe-livre estudantil e vimos no último período os jovens secundaristas sairem às ruas em grandes manifestações e passeatas pelo direito ao passe-livre e ao transporte público. E Lula se recusa a atendê-los enquanto faz aprovar o FUNDEB que acoberta o descaso do governo com a educação entregando seu financiamento cada vez mais para o setor privado.
Lançamos a campanha "Grêmio-Livre, Passe-Livre" e vamos organizar os jovens secundaristas por seus direitos: Passe-livre já, Estatização do Transporte Público!

Por isso nos dirigimos ao governo Lula, dizendo: se você, Lula quer nosso voto, é preciso que atenda nossas reivindicações, já! Votamos em você em 2002 pra que fossemos atendidos imediatamente, quem tem a caneta nas mãos hoje é você. Atenda nossas reivindicações agora e certamente terá o apoio da juventude e das massas novamente para um segundo mandato.

Mãos sujas de Sangue!
Fora tropas brasileiras do Haiti!

Quem não se chocou ao ver nos jornais o depoimento de jovens soldados brasileiros que estavam no Haiti afirmando que cada um deles matava de 2 a 4 pessoas por dia, inclusive mulheres, jovens e crianças? E com o envio de novas tropas durante as comemorações do 1º de Maio, dia do trabalhador?

Lula não foi eleito para comandar uma suposta missão de paz da ONU que estabeleceu uma ditadura assassina no Haiti e acabou com qualquer possibilidade de soberania do povo que realizou a primeira revolução negra há mais de 200 anos!

AdesivoPor outro lado, o governo tenta enfiar goela abaixo da classe trabalhadora brasileira o mal denominado “Estatuto da Igualdade Racial” que pretende implementar um sistema de divisão da nação imprimindo nos documentos de identidade a classificação “brasileiro” ou “afro-brasileiro”. Concomitante a esse projeto, o governo tenta aprovar a “Lei de Cotas” que visa implementar cotas raciais em todos os níveis!

O Comitê por um Movimento Negro Socialista e vários intelectuais e artistas lançaram um Manifesto Nacional que pede a retirada dos projetos de Lei que tratam do “estatuto da Igualdade Racial” e da “Lei de Cotas” e defende que todos devem ser iguais perante a lei e a igualdade só pode ser alcançada com serviços públicos e vagas para todos.

A Juventude Revolução se recusa a aceitar "soluções" como as cotas que não gastam um centavo com a educação e pretendem integrar os movimentos levando alguns negros a um degrau um pouco mais alto na pirâmide social. Mas na pirâmide social ninguém toca!

E lembramos que, ao mesmo tempo que o governo Lula propõe uma pretensa igualdade racial no Brasil, continua a enviar nossos jovens a mando de Bush para massacrar o povo negro no Haiti. O povo do Haiti tem direito a soberania, a escolher livremente seu próprio destino.

A Juventude Revolução, lança nacionalmente a campanha “Mãos Sujas de Sangue, Fora Tropas Brasileiras do Haiti!”, e convoca todos os núcleos a fazer do dia 23 de Agosto, o Dia Nacional de Mobilização pelo Retorno das Tropas Brasileiras do Haiti. E somamos a esta luta, a exigência do fim dos ataques de Israel ao povo Palestino e ao Líbano.

No mundo: As massas nas ruas.
Na América Latina uma Revolução em curso
e o MERCOSUL como uma saída para o imperialismo!

Com a ALCA temporariamente suspensa por conta da forte resistência das massas, o MERCOSUL passa a ocupar um papel de destaque nos planos do imperialismo. Depois que Bush visitou o Brasil em Novembro passado, Lula saiu a campo para fortalecer o MERCOSUL e dias depois a Venezuela adere ao tratado, colocando em sério risco todas as conquistas da revolução em curso naquele país, inclusive sua continuidade. Apesar da confusão que muitas organizações ditas “de esquerda” promovem ao colocar o MERCOSUL como um instrumento de oposição ao imperialismo, as massas na Venezuela, Bolívia, Brasil e em todos os cantos continuam firmes em sua luta encarniçada contra o capitalismo e por suas reivindicações que inevitavelmente se chocam com os compromissos do MERCOSUL!

A Juventude Revolução dá total apoio à resistência da revolução venezuelana que levou Chávez a estatizar as fábricas ocupadas, iniciar a reforma agrária e que se recusa a privatizar o petróleo garantindo que permaneça sob controle da nação seu principal patrimônio estratégico. Damos total apoio à revolução boliviana que levou Evo Morales a nacionalizar o petróleo e o gás para investir o dinheiro gerado pelos recursos naturais bolivianos no atendimento das reivindicações do seu povo.

E por isso, a Juventude Revolução está desde o início comprometida com a luta pela Reestatização da Vale do Rio Doce, no Brasil, em defesa de nossa soberania.

É preciso seguir o exemplo dos jovens da França que tomaram as ruas e fizeram o governo francês recuar com o projeto do Primeiro-Emprego que retirava direitos dos trabalhadores jovens. É preciso seguir o exemplo dos jovens secundaristas chilenos que tomaram ruas em defesa da sua educação e de um futuro digno. Estamos com os trabalhadores do México que resistem contra a fraude eleitoral da burguesia e lutam por um governo dos trabalhadores que atenda as reivindicações e rompa com o imperialismo.

Chamamos todos a construir os núcleos da Juventude Revolução e se somarem a esta luta!

- Pelos direitos da juventude e dos trabalhadores!
- Por um Partido Operário Independente!
- Pela revolução Socialista!

aprovado por unanimidade dos delegados(as)
9º Encontro Nacional da JR
16 de Julho de 2006

domingo, 16 de julho de 2006

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