Em resposta ao texto da JR-IRJ assinado por Alexandre Linares e Gilberto Orlani Neto
No portal da Juventude do PT (www.jpt.org.br) foi publicado um texto assinado pelos Srs. Alexandre Linares e Gilberto Orlani Neto. A princípio, é só mais um texto no debate de preparação do 1º Congresso da Juventude do PT. O Titulo é interessante: “A quem interessa abandonar a defesa da soberania hoje?”.
Nós podemos responder, de nossa parte, que defendemos a soberania nacional dos países atrasados, semi-coloniais, contra o imperialismo. Estivemos e estamos na primeira linha da defesa da soberania da Venezuela contra o imperialismo americano, participamos da campanha internacional “Tirem as mãos da Venezuela” (vejam o blog: http://tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com e o site internacional: www.manosfueradevenezuela.org). Desenvolvemos uma grande campanha pela retirada das tropas brasileiras do Haiti, em defesa da Soberania Nacional do povo daquele país. Lutamos pela anulação do Leilão da Vale do Rio Doce, construímos o plebiscito popular, na luta pela Soberania Nacional do Brasil. Estamos sinceramente dispostos a atuar com todos os movimentos e organizações que lutam pela nação oprimida contra o imperialismo, sempre entendendo que isto é parte da luta internacional do proletariado para derrubar o capitalismo e implantar o socialismo.
Assim, estamos de acordo com o trecho do texto deles que coloca lutas justas que também travamos:
“É a luta da juventude nas universidades federais, contra o REUNI, pela defesa do diploma profissional nacional. Pela ruptura com o Mercosul e os Tratados de Livre Comércio. Pela nacionalização de tudo o que foi privatizado, começando pela anulação do Leilão da Companhia Vale do Rio Doce”.
Mas não concordamos com a frase que antecede esta afirmação:
“É para reafirmar a atualidade disso que é necessário colocar no centro do combate por uma Juventude do PT autônoma na luta pela soberania nacional.”
Eles dizem ser contra os tratados de livre-comércio. Sim, também o somos. Somente explicamos que somos contra o mercado capitalista como um todo, que queremos implantar um mundo socialista e não só derrotar o “livre comércio”, os “tratados de livre-comércio”, queremos derrubar todo o capitalismo.
Para nós, jovens que apreciamos a luta dos antigos revolucionários, está certo o velho Trotsky que dizia no Programa de Transição:
“Os países coloniais e semicoloniais são, por sua própria natureza, países atrasados. Mas esses países atrasados vivem em condições do domínio mundial do imperialismo. É por isso que seu desenvolvimento tem um caráter combinado: reúne em si as formas econômicas mais primitivas e a última palavra de técnica e da civilização capitalista. É isto que determina a política do proletariado dos países atrasados: ele é obrigado a combinar a luta pelas tarefas mais elementares da independência nacional e da democracia burguesa com a luta socialista contra o imperialismo mundial. Nessa luta, as palavras-de-ordem democráticas, as reivindicações transitórias e as tarefas da revolução socialista não estão separadas em épocas históricas distintas, mas decorrem umas das outras. Apenas havia iniciado a organização de sindicatos, o proletariado chinês foi obrigado a pensar nos conselhos. É neste sentido que o presente programa é plenamente aplicável aos países coloniais e semicoloniais; pelo menos àqueles onde o proletariado já é capaz de possuir uma política independente.”
Trata-se justamente disso: ficamos na defesa da soberania nacional, como “questão central” ou, como ensinou o “velho” Trotsky, combinamos a defesa da soberania nacional com a luta pelo socialismo? Trata-se de organizar a juventude do PT como um “sindicato” que tem uma série de reivindicações ou trata-se de dotá-la de um programa político que exija que Lula rompa com a burguesia e caminhe na direção do socialismo? São duas opiniões: uma ajuda a construir um sindicato, mas não serve como programa para uma organização de juventude, por sua limitação! Ela deve ser integrada ao programa e não ser todo o programa. Para ter uma juventude independente é preciso organizar a luta pelo socialismo, a luta pelo rompimento de Lula com a burguesia, pela expulsão dos burgueses do governo! Senão a juventude vai virar uma mera repetidora dos programas do governo de Lula, com algumas críticas, mas sem que se construa como uma organização capaz de dar respostas a problemas como os da ocupação da reitoria da UnB!
Trotsky, é claro, alertava:
“Os problemas centrais desses países coloniais e semicoloniais são: a REVOLUÇÃO AGRÁRIA, isto é, a liquidação da herança feudal, e a INDEPENDÊNCIA NACIONAL, isto é, a derrubada do jugo imperialista.
Estas duas tarefas estão estreitamente ligadas uma à outra. É impossível rejeitar pura e simplesmente o programa democrático: é necessário que as próprias massas ultrapassem este programa na luta.”
Mas, no PT, no partido em que estamos discutindo a luta pelo socialismo, em um partido de trabalhadores, devemos ou não discutir com clareza o programa? Se com isso a Juventude Revolução (que, repetimos aos autores do texto, é diferente da JR-IRJ da qual eles são militantes) tem esta opinião não é justo que isto seja apresentado ao partido? Que seja discutido no partido? Que opiniões divergentes sejam discutidas no partido? Mas os autores devem sentir saudades de outro tipo de partido, onde não caibam opiniões divergentes e por isso escrevem logo no inicio de seu texto:
“Roda na internet um texto produzido pela Esquerda Marxista do PT, assinado fraudulentamente como Juventude Revolução atacando a teses petistas ao 1º Congresso da Juventude do PT. A verdadeira Juventude Revolução, seção brasileira da Internacional Revolucionária da Juventude nada tem a ver com essa provocação.
Trata-se de um embrolho criado por esse agrupamento para enganar e confundir jovens militantes do PT. Qualquer militante do PT sabe que a Juventude Revolução – IRJ, jamais apresentou documentos às instâncias do PT. A Juventude Revolução - IRJ sempre foi uma organização autônoma de juventude desde sua fundação em 1989. Os militantes petistas da Juventude Revolução sempre se expressaram no PT como militantes petistas.
Feito esse esclarecimento sobre a falsificação, é preciso entrar no conteúdo da provocação. No texto a pretexto de comentar as teses ao 1º Congresso da JPT os falsificadores escrevem: (...)”
Prestemos bem atenção à virulência do ataque: “assinado fraudulentamente”, “provocação”, “falsificação”, “falsificadores”. Porque tal violência? Eles sabem o que deu origem às duas “JR”, a JR (www.revolucao.org) e a JR-IRJ deles, criada em 2006. Eles que dizem ser a JR autônoma, que querem tanto uma Juventude do PT autônoma, quando deram um golpe na maioria da direção da Corrente O Trabalho do PT, em 2006, provaram que a JR deles nunca foi autônoma impondo a mesma divisão na JR. A maioria do Comitê Nacional da JR na época era pela unidade da JR, independente do racha na Corrente O Trabalho (veja mais em: http://www.revolucao.org/noticias/000139.html), mas eles – seguindo orientação dos golpistas da Corrente O Trabalho, entre eles, Alexandre Linares – decidiram criar outra JR: a JR-IRJ. Uma “Juventude Revolução” que de revolução não fala mais nada, só quer saber de soberania nacional e autonomia (o que é uma contradição com a prática deles). Tudo bem! É a opinião deles! Mas não podem querer nos impedir de colocar nossa opinião... já assaltaram nossa sede, nos expulsaram à força e agora querem usar os mesmos métodos no debate em curso na JPT?
Afinal, por que existem tantas teses? Não é porque existem opiniões diferentes no PT sobre a luta, sobre a juventude? E devemos ignorar tais opiniões?! Devemos procurar desqualificá-las?! Claro que todos têm o direito de discordar de nossas opiniões – aliás, se concordassem com a luta pelo socialismo, pela revolução, estariam assinando nossa tese. É o obvio. Lamentamos que no debate do PT, volta e meia retornem estes argumentos de buscar desqualificar os outros, de excluí-los. De nossa parte, continuaremos a defender nossas idéias e propostas e procurando explicar porque são diferentes das outras. Cada um que tome o seu caminho, cada um que procure o seu rumo e os seus aliados. Nós temos os nossos, que são os que querem a luta pelo socialismo! Eles têm os deles, como mostraram ao formar a chapa no encontro municipal da JPT de São Paulo. Lamentável!
Caio Dezorzi (JR - São Paulo) e Fabio Ramirez (DCE/UFMT - Cuiabá).
28 de Abril de 2008
domingo, 27 de abril de 2008

