texto em preparação ao 11º ENJR
Este texto pretende dar prosseguimento à discussão iniciada no 10º Encontro Nacional da JR, ocorrido em 3 de Fevereiro de 2008, em Joinville-Santa Catarina
No 10º ENJR fizemos uma boa discussão sobre a luta de classes no Brasil e no mundo. A partir dessa discussão, fizemos uma avaliação da atividade da JR nos últimos anos e sua relação com a classe trabalhadora brasileira. Nós, militantes da JR, temos estudado muito a teoria marxista no último período e isso nos tem feito refletir sobre nossa trajetória. Recebemos uma proposta da Esquerda Marxista para a fusão com a JR. Decidimos então fazer a discussão com os militantes da JR em todo o Brasil e organizar um novo Encontro Nacional da JR para Julho, onde devemos aprofundar essa discussão e tomar uma decisão sobre a questão.
A questão da independência e da autonomia da juventude
Desde seu surgimento, em 1989, a JR tem se colocado como uma organização de juventude independente. Para nós isso permanece muito atual e importante. Mas “independente” do que?
É certo que qualquer organização ou movimento que se pretende revolucionário, ou seja, que pretende lutar pela revolução, para por fim ao capitalismo, deve ser independente da burguesia – a classe dominante, a classe dos capitalistas. Isso quer dizer que deve ser independente das empresas, corporações, bancos, etc. Também deve ser independente do Estado burguês. E também deve ser independente de qualquer instituição burguesa, ou que sirva aos interesses da burguesia (igrejas, ONGs, partidos, etc.). E o que significa ser independente da burguesia, seu Estado e suas instituições?
Significa não depender destes para poder desenvolver a atividade revolucionária. Isso coloca no centro a questão da independência financeira: “Quem paga a banda, escolhe a música!”
Em outras palavras, para termos liberdade para agir como quisermos, é preciso que tenhamos independência financeira, pois se dependermos do dinheiro ou de qualquer recurso material da burguesia, no momento de agir contra a burguesia, ela terá como nos impedir com muita facilidade. Por isso nunca aceitamos qualquer tipo de patrocínio. Nunca aceitamos e nem pedimos dinheiro ou qualquer recurso material, para empresas, para o Estado burguês ou para qualquer instituição da burguesia. E para nós isso permanece essencial.
Mas desde o surgimento da JR, há um problema. Esse “independentismo” nos colocou a querer independência em relação a tudo e a todos. Entretanto, estudando a teoria marxista, compreendemos algo que já havíamos escrito em diversos textos nossos, mas que nunca havíamos dado a conseqüência adequada para isso: a juventude, sozinha, não pode fazer a revolução!
Sozinhos, podemos fazer um belo estrago, mas para derrubar a classe dominante, a burguesia proprietária dos grandes meios de produção, das grandes empresas e do latifúndio, é necessário que os trabalhadores explorados por essa burguesia, tomem esses meios de produção. E isso a juventude não pode fazer sozinha! Os trabalhadores que já não são jovens ocupam um papel central.
Isso significa que somos e devemos ser independentes frente à burguesia, a classe dominante, mas não somos e nem podemos ser independentes da classe trabalhadora. A juventude depende da classe trabalhadora para que a luta pela revolução – que garantirá um futuro para a juventude – possa ter êxito. E se a juventude depende da classe trabalhadora, uma organização revolucionária de jovens não pode e nem deve pretender ser independente dos trabalhadores. Como se o problema fosse de que a juventude deve ser independente dos “adultos”: isso é absurdo! O conflito não se dá entre interesses de jovens e interesses de não-jovens. Mas sim entre burgueses (jovens ou não) e trabalhadores (jovens ou não)!
Compreendendo isso, o 10º Encontro Nacional da JR decidiu mudar o logo da JR: agora, o punho cerrado e erguido segura um objeto que, por um lado é um lápis (referência aos estudantes) e por outro lado é uma chave inglesa (referência aos trabalhadores); e ao fundo a foice e o martelo fazem referência aos trabalhadores do campo e da cidade.
Mas não é só no logo que devemos expressar essa nossa compreensão. Desde que a JR surgiu, defendemos independência em relação a todos os partidos. Está correto mantermos independência frente aos partidos burgueses e pequeno-burgueses. Mas devemos também ser independentes em relação aos partidos operários? Às organizações da classe trabalhadora? Se somos dependentes da classe trabalhadora, por que devemos ser independentes de suas organizações?
Claro que há organizações e organizações. Há organizações que são operárias, formadas por trabalhadores, mas que jogam um papel de defender os interesses da burguesia e de trair os trabalhadores. Entretanto, há uma organização revolucionária “de adultos” que tem as posições praticamente idênticas às nossas: é a Esquerda Marxista. E mais: os militantes da JR, em geral, quando ficam mais velhos entram na Esquerda Marxista.
Justamente 40 anos depois de Maio de 68, quando a juventude e a classe trabalhadora uniram forças para fazer o sistema capitalista estremecer pelos quatro cantos do mundo, agora em 2008, a proposta de fusão entre a JR e a Esquerda Marxista veio em hora oportuna e certamente poderá proporcionar um avanço enorme para a luta revolucionária no Brasil. A JR contribuirá enormemente com a Esquerda Marxista, levando a energia da juventude – como disse Lênin: a juventude é a chama da revolução! E a Esquerda Marxista trará a experiência e uma melhor elaboração teórica para a Juventude Revolução.
Trabalhadores e Jovens de todo o mundo, uni-vos!
São Paulo, 1º de Maio de 2008
Comissão Nacional da JR
quinta-feira, 1 de maio de 2008
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