Declaração Final do 11º Encontro Nacional da Juventude Revolução
Acampamento Nacional Pela Revolução
18, 19 e 20 de Julho de 2008, Ibiúna-SP
Há 40 anos, em Maio de 68, uma onda revolucionária varreu o mundo fazendo coincidir a luta pela revolução social na Europa capitalista e a luta pela revolução política no Leste Europeu tomado pelo stalinismo. Nos EUA milhões se manifestavam contra a guerra no Vietnam; no Brasil a marcha dos 100 mil; no México os 300 mil; na França a maior greve geral de sua história, iniciada em 13 de Maio colocou o imperialismo francês na parede e os trabalhadores só não tomaram o poder por conta da traição da CGT (central sindical) e dos partidos Comunista e Socialista. Os stalinistas jogaram um papel nefasto em toda a Europa e reprimiram o povo no Leste Europeu, ajudando a burguesia a se recompor em todos os lugares e cavando sua própria cova para 20 anos mais tarde permitir a abertura para a restauração do capitalismo e desfazer as conquistas da Grande Revolução Russa de Outubro de 1917. Como bem explicou Trotsky em 1938, a crise da humanidade se reduz à crise da direção do proletariado. Se não fossem os traidores reformistas e stalinistas já teríamos nos libertado dos grilhões do capitalismo no Século XX.
No Brasil, pouco depois de Maio de 68, a juventude se reunia clandestinamente no Congresso da UNE em Ibiúna-SP quando os militares descobriram, prenderam mais de 900 estudantes e torturaram dezenas de jovens. E agora, 40 anos depois, estamos de volta a Ibiúna, 115 jovens vindos de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Paraíba, além de convidados da Venezuela e Espanha, para continuar a luta pela liberdade, que só pode ser conquistada de fato com o Socialismo.
O Capitalismo não nos reserva nenhum futuro
A economia segue em crise. Os mercados sacodem e os governos dos países imperialistas promovem enxurradas de dinheiro público para salvar os capitalistas na bancarrota. A conta é jogada nas costas do povo trabalhador e da juventude. O preço dos alimentos vai às alturas e a fome varre continentes inteiros. As guerras continuam e milhares de jovens morrem todos os dias. Mas os povos resistem e lutam!
A Juventude Revolução prossegue contundentemente o combate contra as guerras, e defende a necessidade de uma revolução proletária para por fim de vez ao capitalismo, essa é a única saída para a crise que abala o mundo.
O Vento Revolucionário na América Latina
A Revolução em curso na Bolívia e na Venezuela, que faz os governos desses países se chocarem com o imperialismo e estatizarem empresas, tem demolido as pretensões daqueles que diziam que a luta pelo socialismo estava morta!
Em nosso Encontro pudemos discutir com Leonardo Badell – jovem venezuelano que foi eleito dentro do PSUV como vocero do Batalhão número 13 “Alberto Lovera” – que nos contou sobre a luta da juventude na Venezula, os erros e acertos de Chávez, o importante papel da classe operária e a organização dos marxistas dentro do PSUV e na FRETECO (Frente de Trabalhadores em Empresas Ocupadas).
Para a JR está claro que é preciso defender as conquistas já alcançadas: as ocupações de fábricas, as nacionalizações, a não renovação da concessão pública à RCTV, reforma agrária... porém é preciso avançar, a Revolução não vai ocorrer em doses homeopáticas.
Na Bolívia a Revolução também está na ordem do dia, mas se Evo Morales continuar tentando dialogar com a oligarquia e dar espaço a estes, mais cedo ou mais tarde eles organizarão uma ofensiva, como já estão fazendo com grupos juvenis fascistas. É imprescindível avançar nas nacionalizações do petróleo e gás, reestatizações de empresas privatizadas, a reforma agrária, mas é preciso organizar já o combate contra a oligarquia que quer o país dividido usando o discurso de “autonomia”.
No Paraguai, a vitória de Lugo coloca em questão o acordo hidrelétrico binacional da Usina Itaipu, entra em combate com os latifundiários e multinacionais. A juventude chilena luta pelo passe livre nacional. O povo mexicano se mobiliza de forma extraordinária contra a privatização da PEMEX.
No restante do mundo vemos um grande repúdio à guerra de Bush, que cada vez mais quer destruir nações e povos que enfrentam o imperialismo e que possuem riquezas naturais. Os EUA não conseguem atingir seu objetivo com as ocupações do Iraque e Afeganistão. A juventude francesa se opôs aos ataques da União Européia! Juanjo Lopez – Coordenador Geral do Sindicato de Estudiantes da Espanha – nos explicou que há agora uma diretiva da União Européia que busca impor jornadas de mais de 60 horas semanais na Espanha e em outros países europeus. A juventude não pode aceitar nenhum Tratado de Livre Comércio que, como União Européia, significa mais capitalismo, mais exploração! A juventude não está parada! Respondemos com mobilizações aos ataques do Imperialismo.
Coalizão com a burguesia e Colisão com o povo
No Brasil uma maré vermelha elegeu Lula, do Partido dos Trabalhadores, para mudar o Brasil. Mas em vez de governar para a juventude e para os trabalhadores, Lula preferiu o governo de coalizão, compondo uma ampla aliança com os partidos da burguesia. E a conseqüência dessa política é o PAC, que transforma o Brasil numa imensa plataforma de exportação agro-mineral, prevê investimentos públicos nas construções de estradas, ferrovias, portos, usinas hidrelétricas, etc., para depois serem privatizados! Engessa o reajuste do salário mínimo até 2023, estabelece medidas de privatização do INSS e da Previdência Social, e ainda cria inúmeras isenções de impostos aos grandes empresários!
Lula paga anualmente cerca de R$ 175 bilhões só de juros da divida pública. Se esse dinheiro fosse usado para o povo, aí sim poderíamos começar um verdadeiro crescimento!
E é nesse sentido que segue o acordo do Etanol entre Lula e Bush, ajudando ainda mais o latifúndio e voltando aos tempos da monocultura, em detrimento da luta pela terra. Na mesma linha vem o projeto de transposição do Rio São Francisco, que beneficiará os latifundiários e grandes empresas em detrimento das comunidades ribeirinhas.
Só um programa socialista pode trazer o verdadeiro desenvolvimento que o povo precisa, com medidas como a planificação da economia, reforma agrária, aumento real dos salários.
Em defesa da luta, contra a criminalização dos movimentos sociais
Mas a luta prossegue e os trabalhadores e jovens se mobilizam como podem. As repressões aos movimentos sociais se intensificam e o governo nada faz. A tentativa de colocar o MST na ilegalidade, a intervenção nas fábricas ocupadas, e a repressão ao Movimento Estudantil, são exemplos disto. Por isso a JR, junto a inúmeras organizações populares, participou do Tribunal Popular que condenou o governo Lula culpado pela criminosa intervenção na fábrica ocupada CIPLA, e estamos solidários a todos que lutam e resistem.
Só a ruptura com os partidos dos patrões, e um governo com as organizações do povo pode nos trazer as vitórias e abrir o caminho ao socialismo.
Reduzir a jornada para ampliar os empregos e o lazer
Hoje, a juventude, assim como toda a classe trabalhadora, ainda é assombrada pelo fantasma do desemprego. Segundo os dados do IPEA, os jovens desempregados com idades entre 15 e 29 anos, já correspondem a praticamente metade dos desempregados de todo o país. Tal problema poderia ser combatido com uma decisão política do governo federal de reduzir a jornada de trabalho. Segundo o DIEESE, a redução da jornada para 40 horas semanais geraria 2 milhões e 500 mil novos postos de trabalho no país, além de propiciar mais tempo para o estudo e lazer.
Além do mais, para criar mais empregos deve-se evitar que os postos de trabalho que já existem se fechem. Por isso é necessário continuar a luta em defesa da Fábrica Ocupada Flaskô (www.flasko.blogspot.com) contra o seu fechamento e pela estatização sob controle operário.
A defesa dos direitos conquistados é uma importante batalha para se avançar rumo a novas conquistas, portanto é necessário prosseguir o combate às drogas, que destrói a mais poderosa força produtiva, o homem. E é um poderoso instrumento de poder dos capitalistas. Ao mesmo tempo rechaçamos a criminalização dos usuários, e o discurso moralista. Para nós, trata-se de um combate classista, de expropriação das formas de poder da burguesia e construção de um novo mundo socialista.
Vagas para todos!
No ensino secundário a falta de verbas é sentida cotidianamente pelos estudantes. As escolas públicas localizadas nos bairros pobres e periferias às vezes não possuem nem mesmo cadeira para sentar, falta merenda, materiais escolares, professores e, em alguns lugares, até mesmo chegar à escola é uma missão impossível. Uma delegação de 4 jovens de Mirandiba – cidade do sertão de Pernambuco, próximo a Serra Talhada – presente no nosso encontro, relatou a dura batalha que travam os estudantes secundaristas todos os anos. Só há 3 escolas na cidade. Uma estadual e duas municipais. As 3 ficam no centro. Os estudantes que moram na zona rural precisam cruzar de 13 a 14 km para chegar às escolas. A prefeitura só fornece transporte para os estudantes das escolas municipais. Os da escola estadual têm que se virar. Como se isso não bastasse, o transporte oferecido pela prefeitura são paus-de-arara (caminhões abertos com acentos de madeira). Quando chove não há transporte. E como se isso também ainda não bastasse, todo fim de ano o prefeito atrasa os salários e no início de cada ano, os motoristas fazem greve e só voltam a transportar os estudantes a partir de Abril. E isso depois dos estudantes que moram na zona urbana terem pressionado muito o prefeito em solidariedade aos estudantes da zona rural.
Essa situação trazida pelos jovens companheiros de Mirandiba, demonstra o quão grande e desigual é o Brasil. A realidade de Mirandiba é a mesma em inúmeras cidades do país. O Encontro Nacional da JR decidiu incorporar na luta nacional pelo Passe-Livre Estudantil, uma batalha nacional para ajudar os estudantes de Mirandiba a conquistar ônibus para transportá-los com dignidade até a escola.
O ensino universitário público também segue precário, a Assistência Estudantil é praticamente inexistente, vários restaurantes universitários já foram privatizados. O combate em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade continua vivo e se expressa na necessidade do combate à Reforma Universitária e ao REUNI, programas que diminuem a qualidade de ensino e começam a privatização.
Mas o mais grave é que continua tendo muito mais jovens querendo estudar do que vagas existentes nas públicas. E os tubarões de ensino nadam de braçadas com o FIES e o PROUNI, que na verdade são incentivos financeiros do governo. Os bolsistas do PROUNI deveriam ser imediatamente transferidos para as Universidades Federais. A Solução não são as cotas raciais, que atendem a uma absoluta minoria enquanto a gigantesca maioria de jovens negros continua fora da Univerisdade. A única saída é o governo investir na educação construindo mais universidades e garantindo vagas para todos que querem estudar. A começar pela Estatização das faculdades privadas em falência e que se utiliza de dinheiro público. Estamos juntos com os estudantes da FEUDUC, no Rio de Janeiro, pela nacionalização e contra o seu fechamento.
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Ação prática! Campanhas decididas no 11º ENJR!
Em defesa da Amazônia
Ironicamente, em 21 de Setembro de 2007- dia da árvore - a então ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, anunciou, em Nova York, o início da privatização da Amazônia. A Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, foi oferecida aos empresários. Nem Collor ou FHC tiveram coragem para tanto. A Lei de Gestão de Florestas Públicas é, na verdade, uma Lei de Privatização das Florestas. Aprovada em março de 2006, essa lei dá direito a empresas de explorar produtos e serviços na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica pagando uma determinada quantia ao governo. Com esta lei o governo Lula colocou à disposição dos capitalistas a exploração de 43 milhões de hectares de florestas, de um total existente de 193,8 milhões de hectares que constam no Cadastro-Geral de Florestas Públicas da União. Na prática é a autorização para a exploração empresarial e a destruição da Amazônia e dos 7% que restam da Mata Atlântica brasileira.
Entregar a Amazônia é um dos mais fundos golpes que o Brasil, como nação, já recebeu. A privatização da Amazônia é um ato de traição nacional e todas as forças devem ser mobilizadas para denunciar este crime de lesa pátria e fazer o governo recuar cancelando as concessões. Além disso é preciso ficarmos espertos com a discussão que se desenvolve em torno da reserva chamada Raposa Serra do Sol. Por que as ONGs e o Vaticano estão apoiando tanto a autonomia da área indígena? Sabemos muito bem a quais interesses servem as ONGs e o Vaticano (este último, co-responsável pelo genocídio dos ameríndios nos séculos XVI e XVII). Seria muito mais fácil para os imperialistas meterem a mão na Amazônia saqueando seus recursos minerais e sua flora para as grandes indústrias farmacêuticas, se tivessem que negociar direta e unilateralmente com os índios. Trocariam toda a Amazônia por “espelhos” (hoje as ONGs já oferecem a vários índios cursos no exterior em troca de sua presença em regiões da Amazônia). Por isso afirmamos: A Amazônia é Nossa! É da juventude e do povo trabalhador que habita suas regiões, é um patrimônio do povo trabalhador do Brasil, da Venezuela, da Colômbia, do Peru, da Bolívia, das Guianas e de todo o mundo. E sua privatização não passará! Nem mesmo disfarçada de ajuda hipócrita aos índios!
Mãos sujas de sangue! Fora Já tropas do Haiti
Em 1º de Junho completaram-se 4 anos da ocupação militar no Haiti encabeçada por tropas brasileiras. Foram gastos quase 500 milhões de reais de dinheiro público para manter os 1200 soldados brasileiros lá, que estão a serviço de Bush, reprimindo a bala o povo do país mais pobre das Américas.
Desde 2004 a JR já organizou duas campanhas de abaixo-assinados dirigidos a Lula. Colhemos mais de 22 mil assinaturas e Lula deu de ombros. Se não colocarmos esta campanha para o conhecimento das amplas massas brasileiras, não teremos força para impor a Lula que retire as tropas. Há muita desinformação. A maioria das pessoas crê que se trata de uma “missão de paz”, conforme a mídia e o governo propagam. Ao invés de abaixo-assinado, devemos agora levar a campanha pra rua com ações e intervenções urbanas. Encher os muros e postes das grandes cidades brasileiras com a exigência de que Lula retire imediatamente as tropas brasileiras do Haiti.
Tirem as Mãos da Venezuela!
A campanha mundial que cada vez mais cresce, tem por objetivo combater a contra-informação veiculada pelos grandes meios de comunicação e agrupar cada vez mais jovens e trabalhadores em solidariedade à revolução venezuelana. No Brasil devemos continuar promovendo atividades com exibição do vídeo “No Volverán!” e debates. Essas atividades podem ser organizadas junto com Grêmios estudantis, CAs, DAs, etc., ou mesmo atividades que reúnam os amigos da rua numa casa que tenha DVD, etc.
Passe-Livre Estudantil!
Em cada cidade esta campanha tem suas particularidades, mas no geral devemos impulsionar a constituição de Comitês de Luta pelo Passe-Livre e em Defesa do Transporte Público. Devemos fazer isso listando escolas para visitação, panfletagem, coleta de assinaturas, sempre cadastrando contatos e chamando para reuniões abertas. Esses comitês devem ser de frente única. Devemos nos dirigir a todos os grêmios, CAs, DAs, UMES, UEE, UNE, UBES, partidos, sindicatos, vereadores, etc.
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A juventude tem classe! É a classe trabalhadora!
Compreendendo que, assim como em Maio de 68, é a força da juventude junto à classe trabalhadora que poderá abrir a via da luta pelo socialismo no Brasil e no mundo, que por unanimidade dos delegados foi aprovada a fusão da JR com a Esquerda Marxista. Há um bom tempo juntas nas ações práticas, a unificação das duas organizações e aprofundamento da ação comum trará a força da juventude à Esquerda Marxista e a experiência dos militantes mais velhos para a Juventude Revolução. Agora a JR passou a ser a “Organização de Jovens da Esquerda Marxista”. Isso se dá dias antes do Congresso Mundial da CMI (Corrente Marxista Internacional) chamado a decidir sobre a fusão da Esquerda Marxista com a CMI.
Num momento em que toda a esquerda e os que se reivindicam do socialismo estão rachando e se dividindo, os revolucionários de fato se unem. Isso demonstra que a revolução em curso na América Latina une os verdadeiros revolucionários e afasta os oportunistas e sectários! Venha se juntar à Juventude Revolução – Organização de Jovens da Esquerda Marxista.
Ibiúna-SP, 20 de Julho de 2008
Juventude Revolução
Organização de Jovens da Esquerda Marxista
quarta-feira, 17 de setembro de 2008

