2ª versão da pré-tese da JR ao CONEB da UNE - Novembro/2008
A Luta pelo Socialismo vive!
A crise mundial (que há anos os marxistas alertavam) chega pra ficar e revela aos olhos de todo o mundo a real face monstruosa do capitalismo – sistema baseado na propriedade privada dos grandes meios de produção, na exploração da mais-valia do proletariado e na manutenção dos estados nacionais.
Em algumas semanas, os imperialismos fizeram os governos dos países mais ricos do mundo doarem aos grandes banqueiros e especuladores, trilhões e trilhões de dólares de dinheiro público. Dinheiro este que deveria ser usado para investimentos em alimentação, saúde, educação, geração de empregos, saneamento, etc. Isso é o capitalismo! Para os ricos: trilhões de dólares! Para a grande maioria da população mundial: fome, miséria, guerras, doenças, drogas, desemprego, super-exploração do trabalho! Claro, deixam algumas migalhas para ONGs que dizem que resolverão os problemas, criando um verdadeiro negócio que depende da continuidade destes problemas para seguir enchendo os bolsos de um punhado de filantropos hipócritas!
Após a queda do muro de Berlim, os capitalistas e seus ideólogos diziam que agora o mundo entrava numa nova era de progresso e que havia terminado a história! O capitalismo seguiria como o “sistema natural” da evolução humana. Nada mais falso!
A atual crise capitalista comprova tudo o que Marx já dizia há 150 anos sobre o desenvolvimento do capitalismo em sua obra econômica “O Capital”. O capitalismo não é capaz mais de desenvolver as forças produtivas da humanidade e seguirá levando a crises, guerras mundiais, mortes de milhões e milhões, até que seja substituído, pelo povo em luta, pelo socialismo, dando as condições para a construção do futuro comunista da humanidade.
E a luta de classes segue mais viva do que nunca! Um vento revolucionário varre a América Latina. Em todos os lugares o sentimento popular é de mudança para a construção de uma sociedade diferente da atual. Em diversos países este sentimento tem se expressado no terreno deformado das eleições burguesas, levando à vitória candidatos que se apresentam como “de esquerda” ou defendendo “mudanças”. Este foi o caso nos últimos dez anos na Venezuela (Chávez), Bolívia (Evo Morales), Equador (Rafael Correa), Uruguai (Tabaré Vasquez), Chile (Bachelet), Brasil (Lula), Paraguai (Lugo), Nicarágua (Ortega), Haiti (Aristides) e mesmo na Argentina com Kirchner ou no México com a fraude que impediu a vitória de Lopes Obrador. A resistência do povo cubano e as revoluções em curso na Bolívia e na Venezuela fazem os governos destes dois últimos países a se confrontarem com os interesses imperialistas e nacionalizarem recursos naturais, fábricas e bancos!
O imperialismo dos EUA não poderia aceitar essa revolta em seu quintal. Em 2002 coordenou o golpe militar contra Chávez, mas o povo venezuelano impôs o seu retorno 3 dias depois! Em 2004 sequestrou o presidente Aristides do Haiti e aprovou na ONU uma ocupação militar com o pretexto de “estabilizar o país” que dura até hoje, reprimindo o povo haitiano e o impedindo de decidir sobre seu próprio futuro! Há mais de dois anos busca desestabilizar o governo na Bolívia e coordenou os ataques fascistas desenvolvidos em Agosto e Setembro de 2008 para derrubar Evo Morales. Mas o imperialismo consegue ter êxito no Haiti e, isso só é possível, por conta da ajuda inestimável de Lula que comanda as “tropas de paz”.
Percebendo que os povos da América Latina não aceitarão mais golpes e ditaduras militares como no passado, o imperialismo dos EUA busca outra forma de lidar com a situação e isso se expressa no discurso mais brando de Barack Obama. A eleição de Obama também expressou no terreno eleitoral a vontade de mudanças que ecoa hoje inclusive entre as fileiras dos trabalhadores norte-americanos. Os imperialistas gostariam de impor sua vontade à força, como tentaram fazer no Iraque, mas nem lá conseguiram. Defendem um sistema político e econômico que já passou da idade de morrer. Apesar das direções traidoras das organizações tradicionais dos trabalhadores, no mundo todo cada vez mais os povos resistem!
Na Palestina o povo segue resistindo ao genocídio do estado sionista de Israel aliado aos EUA. No Paquistão, milhões foram às ruas exigindo mudanças.
A União Européia, busca impor aos países da zona do euro, uma diretiva que eleva a jornada de trabalho para até 65 horas semanais. Com o início da crise, já se fala em 10 mil demissões por dia na Europa! Mas em vários países estouram greves gerais e a juventude sai às ruas para dizer: “Não vamos pagar pela crise dos capitalistas!”. Esse é o contexto internacional em que será realizado o Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE.
Por um governo dos trabalhadores!
No Brasil uma maré vermelha elegeu Lula, do Partido dos Trabalhadores, para mudar a situação de submissão histórica da classe trabalhadora. Mas em vez de governar para a juventude e para os trabalhadores, Lula preferiu um governo de coalizão com a direita, compondo uma ampla aliança com os partidos burgueses (PMDB, PTB, PR, PL, PP, PV, PRB, PDT) que nada defendem os direitos dos trabalhadores e da juventude. É impossível atender os interesses da maioria do povo, quando as mesmas raposas de sempre têm postos-chave em Brasília.
Uma das conseqüências dessa política é a desmoralização da luta organizada. Isso levou à crise do PT e das organizações construídas pelos trabalhadores nas últimas décadas. Lula é o responsável pela fragmentação do PT, da CUT e da UNE! Mas os trabalhadores e estudantes resistem, pois sabem que divididos não temos chances contra o capital. Os burgueses, apesar de defenderem um sistema moribundo, são muito bem organizados e se unem quando acuados. Se nós estivermos divididos como buscam fazer aqueles que criam partidos paralelos ou centrais sindicais paralelas, não conseguiremos de novo! É preciso aprender com a história! Sempre que vencemos na história era porque estávamos unidos e a burguesia estava rachada!
Os divisionistas só complementam o trabalho feito pelos pelegos da direção do PT, da CUT e da UNE, que são os maiores responsáveis por permitirem as políticas de submissão do governo Lula. Uma delas é o Programa para Aceleração do Crescimento (PAC), que visa transformar o Brasil numa imensa plataforma de exportação agro-mineral. O Plano prevê investimentos públicos na construção de estradas, ferrovias, portos, usinas hidrelétricas etc, para depois serem leiloadas e privatizadas! Engessa o reajuste do salário mínimo até 2023, estabelece medidas de privatização do INSS e da Previdência Social, cria inúmeras isenções de impostos aos grandes empresários e tenta manobrar os trabalhadores e a juventude para a criação de uma suposta nova estatal para exploração do Pré-Sal recém descoberto, que na verdade é a criação de uma agência reguladora para leiloar a extração aos capitalistas.
E é nesse mesmo sentido que segue o acordo do Etanol entre Lula e Bush, colaborando ainda mais com os latifundiários renegando assim, mais uma vez, a luta pela terra. Na mesma linha vem o projeto de transposição do Rio São Francisco, que beneficiará os latifundiários e grandes empresas em detrimento das comunidades ribeirinhas. Como se não bastasse isso, o atual governo lidera uma rodada de negociações com o intuito de destinar os recursos dos trabalhadores para pagar dívidas dos latifundiários, enquanto a Reforma Agrária continua paralisada. Até a Amazônia já está sendo vendida: A Lei de Gestão de Florestas Públicas, sancionada pelo Lula, é na verdade a privatização de parte da floresta Amazônica. A Amazônia é nossa! Não à sua privatização.
Lula paga anualmente cerca de R$ 175 bilhões só de juros da divida pública. Se esse dinheiro fosse usado para o povo, aí sim poderíamos começar um verdadeiro crescimento!
Lula dizia que o Brasil estava blindado à crise, mas na vida real os preços já começaram a subir, o crédito despenca e os juros vão às alturas. O fantasma do desemprego começa a bater na porta da classe operária. Em algumas semanas o governo já gastou mais de 150 Bilhões de reais para salvar os bancos e tentar tirar o Brasil da crise econômica.
Mas o povo luta! Os bancários, trabalhadores do correio e outras categorias acabaram de fazer greves que só mostram que estão prontos para enfrentar a crise com muita luta no próximo período. Dezenas de reitorias e universidades foram ocupadas nos últimos meses! Os secundaristas têm saído às ruas contra o aumento das passagens e pelo passe-livre estudantil. Os sem-terra continuam a ocupar as terras. Os sem-teto continuam a ocupar terrenos e prédios. Os trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô seguem resistindo, produzindo e exigindo a estatização sob controle operário, mostrando o caminho a ser seguido pelos trabalhadores em luta quando as fábricas começarem a demitir por conta da crise.
Milhões de brasileiros elegeram Lula e o PT contra as privatizações e por mudanças na vida do povo trabalhador e da juventude. Para nós, deveria ser justamente nessa força que Lula e o PT deveriam se apoiar para governar. Por isso a UNE e o movimento estudantil devem se pronunciar claramente contra a coalizão estabelecida no governo Lula! Não é possível governar com Collor, Sarney e Delfim Netto! A aliança do governo tem que ser com o povo trabalhador, a juventude e suas organizações, abrindo o caminho para o Socialismo.
Assim poderíamos enfrentar a burguesia e avançar em nossas reivindicações, avançar numa transformação revolucionária e socialista no Brasil. Só um programa socialista pode trazer o verdadeiro desenvolvimento que o povo precisa, com medidas como a planificação da economia, com a nacionalização dos principais meios de produção, reestatização das estatais privatizadas (como a Vale do Rio Doce), reforma agrária, aumento real dos salários. A aliança do governo tem que ser com o povo, com a juventude e suas organizações.
Chega de mensalidades nas universidades! Vagas para todos nas universidades públicas!
Os empresários da educação estão nadando em dinheiro. Lucram com a falta de vagas no ensino público, e ainda recebem a ajuda generosa do governo! O Programa de Financiamento Estudantil (FIES) adianta dinheiro que poderia servir para abrir novas vagas nas federais, mas é usado para garantir que o estudante pague para estudar! O resultado dessa catastrófica política para os estudantes é sua má formação e dívidas a serem quitadas depois de formado.
O PROUNI isenta os impostos dos capitalistas da educação, e ainda destina milhões para o bolso deles. Sem o PROUNI e o FIES os donos das faculdades privadas teriam salas vazias e impostos para pagar. O Dinheiro público está indo para as instituições privadas, enquanto que as públicas ficam a ver navios e bastante sucateadas.
Vagas para todos é a verdadeira bandeira que o Movimento Estudantil tem que levantar! Chega de programas e projetos que levam a juventude para a boca faminta das pagas!
As mensalidades têm subido constantemente. Os inadimplentes, em número cada vez maior, são perseguidos com o amparo da Lei de Mensalidades de FHC (1999), que o governo Lula já poderia ter revogado. É preciso uma efetiva campanha pela redução das mensalidades. Por isso dizemos: Inadimplência não é crime, queremos é estudar!
Vagas para todos nas universidades públicas já! Essa deve ser a verdadeira luta. Se tivéssemos de fato Universidade para todos, precisaríamos de cotas? De FIES ou PROUNI? De isenção fiscal aos empresários da Educação? Não! Para nós, temos que retomar a bandeira histórica do Movimento Estudantil: Universalização do Ensino Público em todos os níveis! Da creche à pós-graduação!
Mas no lugar da universalização nos oferecem cotas sociais e raciais. Com as vagas tão escassas, essas cotas não mudarão em absolutamente nada a realidade do acesso ao ensino público! Com as cotas, um punhado de auto-declarados negros e brancos pobres entrará nas universidades, enquanto que a gigantesca maioria da juventude negra e pobre deste país continuará excluída, sem a menor perspectiva de um dia entrar numa faculdade. Uma outra grande parcela continuará vendo como única perspectiva, se endividar para ingressar numa faculdade paga! Além de não criar uma só nova vaga, as cotas acabam discriminando os estudantes em “raças” num país tão misturado como o nosso, onde “todo brasileiro tem sangue crioulo”. Os negros continuarão marginalizados. Mesmo que com as cotas fique reservada, por exemplo, uma porcentagem de vagas no curso de medicina da USP, a maioria dos jovens negros continuará condenada a encontrar como única opção de emprego e formação, desde cedo, o tráfico de drogas nas favelas e comunidades mais carentes.
Lutamos pra abrir novas vagas, e não dividir as existentes, nosso combate é por igualdade e vagas para todos! O capitalismo é o principal responsável pela falta de vagas nas universidades públicas, pela divisão, pelo racismo, pela exclusão dos negros nas Universidades! Pois Racismo e Capitalismo são faces da mesma moeda! As cotas não resolvem nada, só buscam legitimar este sistema fazendo com que alguns pouquíssimos negros tenham condições iguais a de outros pouquíssimos brancos.
Mas a ampliação de vagas não pode se dar como o governo propõe com o REUNI (projeto que aumenta o nº de vagas sem investir proporcionalmente em estrutura e contratação de professores e servidores – o resultado é sala lotada e queda da qualidade, transformando as universidades públicas em meras fábricas de diplomas, assim como já são muitas pagas).
A ampliação de vagas públicas só pode se dar com a ampliação do investimento público na educação, em todos os níveis. Se isso foi possível em Cuba e na Venezuela, também é possível no Brasil. O dinheiro existe, mas tem sido destinado aos banqueiros como pagamento de juros da dívida pública (interna e externa) ou agora, como “medidas contra a crise”.
Sabemos que a burguesia brasileira e o imperialismo americano não aceitariam que o Governo Lula parasse de desviar o dinheiro do povo aos banqueiros, para investi-lo na educação. Sabemos disso! E é por isso que compreendemos que todas as nossas lutas por melhorias na educação estão intrinsecamente ligadas à luta pelo socialismo! É por isso que é tão importante nossa organização em Centros e Diretórios Acadêmicos, em DCEs, UEEs e na UNE. Só organizados em nossas entidades estudantis poderemos ajudar o povo trabalhador a construir o caminho para o socialismo. E neste processo será possível conquistar os investimentos necessários para dar vagas a todos e construirmos um sistema de educação onde de fato todos se formem como sujeitos históricos.
Não queremos isso para um futuro longínquo. Queremos isso agora! Já! Por isso nos organizamos na Juventude Revolução e apresentamos esta contribuição para o CONEB da UNE. Por isso nos reunimos todas as semanas e agimos! Por isso dedicamos nosso tempo e dinheiro! Basta! Queremos muito mais!
• Educação pública e gratuita para todos em todos os níveis!
• Fim do PROUNI e do FIES, transferência imediata dos bolsistas para as públicas!
• Federalização das faculdades privadas em crise!
• Redução imediata das mensalidades!
• Verbas públicas só para universidades públicas!
• Em defesa da qualidade da Educação, revogação imediata do REUNI! Fim das Fundações privadas!
• Revogação da Lei de Inovação Tecnológica, das PPPs!
• Não a essa Reforma Universitária e à privatização!
• Cotas não! Queremos vagas para todos nas Universidades Públicas!
• Mais verbas para os RUs (Restaurantes Universitários) e Assistência Estudantil!
• Passe-Livre Estudantil Já!
• Paridade nos conselhos e nas eleições universitárias!
• Lula rompa com o governo de coalizão com os partidos da burguesia!
• O Petróleo tem que ser nosso! Petrobrás 100% estatal e monopólio do estado!
• A Amazônia é nossa! Não à privatização!
• Pelo fim do pagamento da dívida pública (interna e externa)!
• Fora Tropas Brasileiras do Haiti! Pelo fim imediato da ocupação da ONU!
• Viva a Revolução na Venezuela, Bolívia, Cuba, em toda a América Latina e em todo o mundo!
• Nenhum centavo para a crise! Que os capitalistas paguem a conta!
• Abaixo o capitalismo! Viva o socialismo!
JUVENTUDE REVOLUÇÃO
Organização de jovens da Esquerda Marxista
Entre em contato! Junte-se a nós!
www.revolucao.org – contato@revolucao.org
www.marxismo.org.br – contato@marxismo.org.br
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Clique aqui para fazer o Download da pré-tese


