Um breve relato: Juventude Revolução no Congresso do “Sindicato de Estudiantes” da Espanha
Nos dias 21, 22, e 23 de novembro realizou-se o XIV Congresso do “Sindicato de Estudiantes” (maior entidade estudantil da Espanha e reconhecida como a entidade oficial dos estudantes) em Alcorón, região metropolitana de Madri. O congresso contou com cerca de 200 delegados eleitos em assembléias gerais em cada escola secundarista e universidade, e uma delegação internacionalista de oito países: México, El Salvador, Venezuela, Brasil, Áustria, Suécia, França e Itália. Um clima de entusiasmo permeou durante todo o congresso, refletindo as recentes mobilizações da juventude espanhola.
O Congresso ocorreu após duas fantásticas mobilizações da juventude espanhola, organizada diretamente pelo Sindicato dos Estudantes. No dia 22 de outubro e 13 de novembro mais de 150 mil estudantes saíram às ruas para dizerem que não aceitarão a privatização da educação pública, conseqüência do chamado plano de Bolonha (muito semelhante à Reforma Universitária do Brasil) e que a saída da crise é o socialismo.
O primeiro dia do congresso foi dedicado a um balanço das atividades do Sindicato dos Estudantes desde o último congresso que ocorreu há dois anos. Um informe fez o balanço das enormes mudanças produzidas pela situação internacional, a crise capitalista tem acertado em cheio a Espanha, a cada dia há novas fábricas anunciando férias coletivas ou novas demissões. O clima é de desconfiança e ninguém mais sabe se vai amanhecer empregado ou no olho da rua. A economia espanhola entrou em recessão e a taxa de desemprego já atinge 15%! Um índice histórico.
Depois do informe abriu-se para intervenções no plenário e 29 delegados, representantes de diversas regiões da Espanha deram um relato de como se desenvolveu as lutas em cada região. Destaque para o balanço das duas greves gerais dos estudantes, o dia 22 de outubro e do dia 13 de novembro. Os números das manifestações são fantásticos, e mostra o potencial de mobilização da juventude espanhola e do Sindicato dos Estudantes. Foi analisado que no dia 22 de outubro 40 mil estudantes saíram às ruas em 46 manifestações pelo país, e no dia 13 de novembro foram 150 mil com manifestações em 60 cidades, apesar do boicote dos meios de comunicação e da repressão nas escolas e universidades! Ao todo foram realizadas 230 assembléias gerais em escolas secundaristas e 45 assembléias em universidades.
As falas sempre recordavam que as manifestações carregavam cartazes e palavras de ordem em defesa da educação pública, contra a privatização, mas também cartazes e faixas que diziam: “contra a crise capitalista a saída é o socialismo”.
Ainda no primeiro dia foram discutidas as mobilizações contra os ataques de bandos fascistas, e as mobilizações e intervenções no movimento operário, como a greve geral dos metalúrgicos de Granada, a luta contra o fechamento da fábrica da Delphi, contra a demissão de dirigentes sindicalistas, e em outras diversas lutas operárias.
Todas as intervenções afirmaram que na atual crise do sistema capitalista é necessária uma resposta unificada contra todos os ataques, algo que na realidade as direções sindicais não estão fazendo. Por isso foi aprovada uma resolução exigindo ao CCOO e a UGT (as duas maiores centrais sindicais da Espanha) que convoquem unitariamente uma greve geral de 24 h como início do enfrentamento contra os ataques que se preparam aos direitos dos trabalhadores.
Ainda na sexta-feira dia 21 discutiu-se como combater um dos principais instrumentos que a burguesia utiliza para dividir os trabalhadores e a juventude, o racismo e o xenofobismo. E então se aprovou uma resolução sobre imigrantes chamando a unidade da classe operária independente de sua cor de pele ou país de origem.
O segundo dia do congresso foi dedicado a discussão da alternativa que o Sindicato de Estudantes defende frente ao capitalismo, o socialismo. Foi analisado que a origem da crise não é a ganância de alguns, como nos dizem os próprios capitalistas através de seus meios de comunicação, para justificar a permanência do seu sistema. Trata-se de uma crise de superprodução clássica do sistema capitalista, que demonstra claramente a podridão deste sistema, que concentra toda a riqueza nas mãos de poucos e é incapaz de garantir condições mínimas de vida para milhões de pessoas.
Juanjo, ex-secretário geral do SE diz em sua intervenção: “sempre nos disseram que não havia dinheiro para educação pública, e agora o governo de Zapatero (PSOE – Partido Socialista da Espanha) distribui 150 bilhões de Euros para os banqueiros enfrentarem a crise. Nos últimos anos estes mesmos bancos lucraram bilhões hipotecando milhões de famílias trabalhadoras, ao mesmo tempo em que nossas condições de trabalho e de vida pioraram: piores salários, precariedade nas condições de serviço, e longas jornadas. É assim que os empresários têm obtido benefícios à custa da nossa exploração”.
Então várias intervenções se sucederam, todas condenando o sistema capitalista e afirmando que só o socialismo é a saída para os trabalhadores e para a juventude. Destaque para as intervenções de Juan Ignácio representando a Corrente Marxista Internacional, e de diversos sindicalistas, uma demonstração de que a luta da juventude não pode estar descolada da luta dos trabalhadores.
Neste ponto do congresso, ainda pudemos contar com a participação de camaradas da Itália, Suécia, Áustria e França, que narraram as enormes mobilizações que vem ocorrendo em toda a Europa.
Durante toda a atividade, uma banquinha vendia os materiais da Juventude Revolução, como camisetas, o jornal Luta de Classes, e documentários das Fábricas Ocupadas, a banca da JR foi um sucesso, vendeu muito e arrecadou R$ 1.250,00.
O terceiro dia de congresso foi dedicado à discussão do processo revolucionário que se vive na América Latina. Como explicava Leon Trotsky em seu livro “História da Revolução Russa”, o acontecimento mais característico de uma revolução é a entrada violenta das massas na cena política, e é precisamente o que se passa há anos em países como Venezuela, Bolívia e México.
Atualmente, a Venezuela é o ponto mais avançado da luta de classes mundial, onde Chávez representa um movimento de massas e encarna em sua pessoa os desejos de mudança de milhões de explorados que tem dito basta de anos de exploração capitalista.
Neste ponto tivemos a intervenção do convidado internacional camarada Euller, militante da juventude do PSUV da Venezuela, e membro da Corrente Marxista Revolucionária, que nos contou como está o processo de luta da juventude e dos trabalhadores em meio à revolução venezuelana.
Ainda na discussão sobre a revolução na América Latina tivemos a participação dos convidados internacionais do México e de El Salvador. O camarada brasileiro da Juventude Revolução, organização de jovens da Esquerda Marxista, Fábio Ramirez, fez uma intervenção explicando o processo que se desenvolve no Brasil. Os fatores do qual dão uma aparente tranqüilidade na luta de classes, como a gigante bolha de crédito que inflou artificialmente o consumo durante um período. E o controle que Lula tem sobre o movimento estudantil e sindical através dos dirigentes das entidades, petistas que se venderam a troca de cargos e benefícios e não acreditam mais no socialismo. Explicou a batalha dos marxistas no Brasil contra a coalizão de Lula com a burguesia e falou detalhadamente do movimento das Fábricas Ocupadas, que pode se tornar um exemplo frente à crise capitalista que começa a fechar diversas fábricas.
Ao final do congresso foi aprovado um manifesto internacional assinado pelas organizações estudantis: Sindicato de Estudiantes (Espanha), Bloque Popular Juvenil (El Salvador), Comitato in Difesa della Scuola Pubblica – Coodinamento Studentesco Universitário (Itália), CLEP/CEDEP – Comitê de Lucha de Estudiantes del Politécnico – Comitê Estudiantil em Defensa de la Escuela Pública ( México), e Juventude Revolução (Brasil). O objetivo do manifesto é iniciar um trabalho internacionalista entre as juventudes revolucionárias na luta pelo socialismo.
Os três dias foram realmente emocionantes. Um clima de luta e confiança de um futuro socialista para a juventude e os trabalhadores, fora das garras do capitalismo, esse foi o sentimento que permeou o congresso do Sindicato dos Estudantes da Espanha, e esse é o sentimento que prossegue no combate da Juventude Revolução no Brasil. Unidos, juventude e trabalhadores de todo o planeta, temos um mundo socialista a conquistar!
-> visite o site do Sindicato de Estudiantes: www.sindicatodeestudiantes.org
sábado, 29 de novembro de 2008
mesa do congresso do Sindicato de Estudiantes
plenário do congresso do Sindicato de Estudiantes
militante da JR fala no congresso do Sindicato de Estudiantes
camarada Todí, eleito novo secretário geral do Sindicato de Estudiantes

