Juventude Revolução
 
Balanço do CONEG e ENET da UBES: a luta por uma UBES de Luta e Socialista continua!

Entre os dias 08 e 12 de dezembro foi realizado o 10º ENET (Encontro Nacional de Escolas Técnicas) e o 11º CONEG da UBES (Conselho Nacional de Entidades Gerais) em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

plenário do CONEG da UBESDurante os fóruns muita discussão rolou, os jovens colocavam que a educação pública tem que melhorar, mas na hora das decisões, as posições políticas aprovadas com a defesa da direção majoritária da UBES, representam mais um retrocesso para a luta do movimento estudantil.

Mas a luta tem que prosseguir e a Juventude Revolução já prepara suas forças junto com os estudantes, nas bases, em cada sala de aula, para no congresso da UBES em 2009 travar a batalha por uma UBES que retome o caminho da luta por uma educação de qualidade para todos e por um mundo socialista.

A participação da Juventude Revolução

Os camaradas da Juventude Revolução interviram no CONEG e no ENET com uma tese centrada na necessidade da construção de uma luta de verdade, aliada com os trabalhadores, por mais verbas para a educação pública, a qual se encontra em situação difícil: em algumas escolas faltam de papel higiênico a cadeira para sentar. Quando se fala das escolas técnicas a situação não muda, o camarada Abdeir Jóia, presidente do grêmio da ETEC Basílides de Godói (SP) explicou que “algumas ETEC’s (Escolas Técnicas) já são parcialmente custeadas por associações de pais e mestres, e em outras já existem cobranças de pequenas taxas, esse é o primeiro passo para a privatização da educação pública”. Os laboratórios das ETEC’s públicas estão sucateados e atrasados, faltam materiais tecnológicos e os salários dos professores e servidores são baixíssimos, fato que se reflete na queda da qualidade de ensino. Sem contar das salas de aulas cada vez mais cheias e das bibliotecas atrasadas.

A saída da crise capitalista é a luta pelo Socialismo!

Há anos a UBES e a UNE pedem dinheiro para resolver o problema na educação, e a resposta do governo sempre foi não tem, e agora o governo Lula dá aos banqueiros, empresários e especuladores R$ 160 bilhões! Quando somado os gastos com a educação e saúde, o governo federal em todo o no de 2008 gastou menos de 100 bilhões! A UBES não pode aceitar isso, é preciso se dirigir a Lula e exigir um governo em aliança com o povo. Não é possível atender os interesses dos trabalhadores e de seus filhos quando quem dá a linha da política é o governo de coalizão formado por partidos da direita, que sempre saquearam nosso povo. Não tem dinheiro para a educação, mas têm para os capitalistas: Lula já gastou nesse ano R$ 350 milhões para manter as tropas brasileiras na guerra que reprime o povo do Haiti, R$ 175 Bilhões em juros da dívida pública e agora em poucos meses mais R$ 160 Bilhões para os capitalistas.

Mas a proposta aprovada no CONEG com a defesa dos companheiros da UJS (PCdoB), da Mudança e CNB (correntes do PT) e de seus aliados (PDT, MR8-PMDB, PSB) escondia tudo isso e maquiava a realidade dizendo: “defendemos a necessidade de que o governo enfrente a crise econômica com ousadia, realizando mais investimentos sociais e em infra-estrutura (PAC), baixando os juros, fortalecendo o Estado nacional e combatendo a ganância dos especuladores através do controle de fluxo de capitais e diminuição do superávit primário. (...) é uma possibilidade de vitória a aprovação da reserva de vagas na Câmara Federal" (site da UJS).

A maioria dos dirigentes da UBES tentava convencer os estudantes de que o governo Lula está certo quando aponta que a saída da crise é investir no PAC e regulamentar o mercado, como se fosse possível controlar a ganância dos capitalistas dizendo para eles: lucrem só um pouquinho. Eles escondem que o PAC é um pacote de dinheiro público que é usado para construções de obras em infra-estrutura que depois de pronto são privatizados, e transformam o Brasil numa plataforma de exportação agro-mineral, beneficiando o latifúndio e atacando a luta pela Reforma Agrária. A posição da UBES de defesa do estado nacional para salvar o capitalismo em crise, deveria ser a luta pelo socialismo para por fim de vez nesse regime de fome e exploração chamado de capitalismo, só assim teríamos educação e direitos por inteiro!

É necessário retomar a luta por vagas para todos na educação pública!

A UBES se posiciona de forma não unânime, mas com a maioria dos delegados em defesa das cotas nas universidades, alegando que essa medida trará democratização no acesso à universidade. Para nós da JR essa posição é um erro político, pois as cotas não aumentam uma só vaga, apenas as dividem em “raças”, quando a verdadeira discussão deveria ser a exigência de vagas para todos na universidade pública, essa é uma das bandeiras de fundação da UBES que precisa ser retomada.

Uma linha acertada e muito positiva foi o consenso das forças políticas da necessidade de uma grande campanha pelo fim do vestibular, o qual será fruto de discussões no próximo Congresso da UBES. No entanto a maioria das forças políticas se posicionam por um outro mecanismo de avaliação para substituir o vestibular, que na prática pode significar a permanência de uma prova que sirva de funil, como o vestibular, por isso nós da JR defendemos que o fim do vestibular tem que ser acompanhado pela universalização do ensino, com vagas para todos nas universidades públicas.

Um novo estatuto e o velho mecanismo de distanciamento da base

Mas a discussão central neste CONEG foi o novo estatuto da UBES, todos diziam concordar que o funil tinha que ser derrubado, pois é um mecanismo antidemocrático, no qual o delegado eleito na base pode não chegar ao congresso. Existiam duas posições.

A primeira proposta era defendida pela UJS e seus aliados, essa posição se dizia contra o funil e as eleições diretas, mas lançava uma proposta que na prática era uma mescla das duas, e ainda acrescentava um colégio eleitoral. Nesta proposta as eleições ocorreriam em urnas (diretas) nas escolas com mais de mil estudantes, e nas escolas com menos de mil estudantes através de assembléia ou conselho de classe. Os delegados eleitos iriam para uma fase estadual onde seria instituído um colégio eleitoral, que seria baseado num teto máximo e em um piso mínimo de delegados de acordo com o número de estudantes matriculados em cada estado. Se a quantidade de delegados eleitos na base ultrapassasse o teto estipulado, haveria um corte, ou seja, um funil! Mas se a quantidade não chegar ao número estipulado como piso, as forças políticas indicariam os delegados até chegar ao piso, um verdadeiro escândalo, pois não seria mais o estudante na base que indicaria os delegados, mas as forças políticas!

A segunda proposta tinha como principal defensor a UJR (União da Juventude Rebelião - PCR), e junto estavam a CNB, Articulação de Esquerda (correntes do PT), PSOL e também se posicionava pelo fim do funil, alegando que esse é o verdadeiro problema da falta de democracia na UBES. Eles propunham as eleições diretas sem o funil na fase estadual.

Os militantes da Juventude Revolução da Esquerda Marxista interviram no plenário apresentando uma terceira posição, que explicava que nem as eleições diretas e nem o colégio eleitoral eram a forma mais democrática para os estudantes, e sim as congressuais, que é historicamente a tradição do movimento operário e também realizado no Sindicato dos Estudiantes do Estado Espanhol. Nas congressuais para eleger delegado a os estudantes tem que convocar uma assembléia geral na escola, o aluno que quiser ser delegado tem que se apresentar na assembléia e falar quais são suas propostas e porque ele quer tem que ser delegado, vários estudantes podem se apresentar e a assembléia escolhe o delegado que melhor representa as idéias dos estudantes de cada escola, ao final do congresso o delegado tem que voltar na base e prestar conta do que ele defendeu e o que ocorreu no congresso.

As congressuais por assembléias de base permitem a relação direta entre o delegado e a base estudantil, são os estudantes que indicam o delegado, já nas eleições diretas um grupo monta chapa, concorre às eleições em urna, e quem vencer indica os delegados proporcionalmente aos votos que a chapa recebeu, ou seja, quem indica os delegados é a chapa, ou em última análise as forças políticas e os partidos, às vezes os estudantes na base nem ficam sabendo quem é o delegado que está representando.

Depois de muita discussão, na plenária final as duas maiores forças da UBES, a UJS e a UJR, fecharam um acordo e votaram as eleições diretas como consenso, e na votação seguinte o colégio eleitoral foi aprovado por maioria dos delegados. Portanto no novo estatuto da UBES o congresso é através de eleições diretas na fase municipal, e um colégio eleitoral na fase estadual. A Juventude Revolução continua na defesa de que é o estudante na base quem tem que escolher o delegado, e não as forças políticas, levaremos esse combate a discussão ao congresso da UBES em 2009.

Durante todo o CONEG e ENET os militantes da JR participaram ativamente abrindo novos contatos para a luta revolucionária pelo socialismo, e a banca da JR da Esquerda Marxista foi um sucesso, vendendo R$ 417,30 em livros, jornais e camisetas marxistas.

Por uma UBES de Luta e Socialista!

Juventude Revolução

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

banca da JR durante o CONEG e ENET da UBES: sucesso!
banca da JR durante o CONEG e ENET da UBES: sucesso!


plenário do CONEG da UBES
plenário do CONEG da UBES

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