Juventude Revolução
 
Genocídio em Gaza

O ano de 2009 chegou trazendo cenas do mais puro horror. As imagens de bombas “inteligentes”, aviões e tanques israelenses destruindo e massacrando o já sofrido povo palestino de Gaza têm provocado uma profunda indignação em diversos cantos do mundo

Parem o massacre na PalistinaAlegando combater o Hamas, o exército israelense não poupou escolas, casas, mesquitas e a Universidade Islâmica de Gaza. Alegando combater o Hamas, Israel aplica uma verdadeira punição coletiva aos palestinos.

Não bastasse o bloqueio de Israel desde junho de 2007, que privou os palestinos de relações econômicas com o resto do mundo, permitindo apenas a entrada de uma escassa ajuda humanitária à região, agora assistimos ao assassinato de mais de 1200 pessoas dos quais quase um terço eram crianças. E evidentemente, além dos mortos e feridos, Israel tem tornado a vida de um milhão e meio de palestinos num verdadeiro inferno.

As atrocidades não têm limites. Médicos noruegueses em Gaza denunciam: “Há uma forte suspeita de que Gaza está sendo usada como laboratório de testes de novas armas” (FSP 13/11). No povoado de Zeitoun, no sudeste de Gaza, militares de Israel mandaram cerca de cento e dez civis se abrigarem numa casa. Vinte e quatro horas depois, o local foi atingido por três projéteis e trinta pessoas morreram.

Diante desse quadro é mais do que justo o manifesto assinado por dezenas de judeus ingleses contra o genocídio em Gaza: “Nós abaixo assinado somos todos de origem judaica. Quando vemos os corpos mortos e ensanguentados de pequenas crianças, o corte de água, eletricidade e comida, nos lembramos do cerco ao Gueto de Varsóvia” (The Guardian 10/1).

A hipocrisia dos governos

1207081557_save_gaza_now_by_latuff2.jpgVenezuela e Bolívia, países que passam por uma conjuntura revolucionária, deram um bom exemplo rompendo relações diplomáticas com Israel, mesmo estando a bons milhares de quilômetros do Oriente Médio.

Mas foram exceções. A reação dos governos frente aos ataques é marcada por hipocrisia. Em primeiro lugar é necessário frisar a total falência da ONU. Não custa lembrar que em 1991, após a invasão do Kuwait pelo Iraque, não apenas a ONU endossou e sustentou a primeira Guerra do Golfo como impôs um brutal embargo econômico sobre os iraquianos. Agora, diante dos ataques à Gaza, a ONU se limita a condenações verbais totalmente inócuas. Diga-se de passagem, que inúmeras outras condenações e exigências feitas a Israel nas últimas décadas jamais foram cumpridas.

Os interesses dos imperialistas e de seus aliados dão cobertura ao governo israelense. Ao mesmo tempo em que alguns dirigentes europeus criticam brandamente Israel, a União Europeia prossegue negociando a integração do país ao seu mercado único. Os EUA – que continuaram mandando armas a Israel mesmo durante o conflito – reafirma sua posição de apoio incondicional à Telavive. Bush e Condolleza Rice se unem a Israel imputando ao Hamas a responsabilidade única sobre o conflito. Barack Obama, por sua vez, indicou seu compromisso total com Israel, reafirmando uma declaração sua de julho de 2008: “se alguém estivesse enviando foguetes na minha casa onde minhas duas filhas dormem à noite, eu faria tudo em meu alcance para parar com isso. E esperaria que os israelenses fizessem o mesmo.”

Tanto o governo egípcio como a Autoridade Nacional Palestina (ANP), dirigida por Mahmoud Abbas, tentam em vão esconder das massas árabes sua colaboração com Israel. Na semana que precedeu aos ataques, o Egito recebia a ministra israelense Tzipi Livni para conversas. Ao mesmo tempo, o governo egípcio participou do bloqueio recente à Gaza. Nada estranho para um país que é o segundo maior receptor de ajuda militar dos EUA, perdendo apenas para Israel.

Abbas, mesmo se em palavras ataca o governo de Israel, deu declarações que atribuem ao Hamas uma parcela igual de responsabilidade pelo conflito. Mais grave ainda, as forças de segurança da ANP tem reprimido manifestações contra Israel e estão prendendo vários partidários do Hamas na Cisjordânia.

Os objetivos de Israel

Quais os objetivos de Israel? Debilitar o Hamas. Apavorar os palestinos não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia, buscando impedir que estes últimos tomem o caminho da resistência. Manter seus interesses econômicos de terra, água e força de trabalho sobre os territórios palestinos.

Para que Israel consiga o apoio dos israelenses é necessária uma intensa propaganda sobre as ameaças dos grupos árabes - sendo elas verdadeiras ou falsas. Mesmo se o Hamas provocou poucas mortes aos civis de Israel, lançar foguetes sobre Sderot - cidade operária e pobre habitada por imigrantes judeus dos países muçulmanos - é de extrema ajuda à classe dominante sionista.

Por uma saída revolucionária e socialista no Oriente Médio

Manifestação na Av. Paulista Constra os ataques ao povo PalestinoIndependentemente dos desdobramentos da guerra, a política assassina de Israel só pode no longo prazo enfraquecê-lo perante os povos.

Num contexto de crise econômica mundial, a causa palestina motoriza o ódio de trabalhadores e jovens contra o imperialismo que empurra o mundo à barbárie.

Centenas de milhares de manifestantes protestaram contra o genocídio nas principais cidades da Europa e das Américas. Em Telavive, mesmo com as enormes pressões do governo sionista milhares de judeus e árabes também se manifestaram.

Ao mesmo tempo é uma ilusão achar que o Hamas será exterminado, e mais ainda acreditar que a resistência palestina cessará com os ataques. Entretanto, os métodos do Hamas pouco servirão para uma solução positiva ao conflito. Tal solução só pode ser encontrada na resistência das massas do Oriente Médio, que têm protagonizado massivas manifestações em diferentes países.

A revista burguesa The Economist, na sua última edição dedicada a Gaza, captou com precisão o que está em jogo: “A menos que a corrente furiosa dos protestos de rua acenda uma revolução na região que amedronte Israel e seus amigos, o Hamas ainda vai ter de encarar a dura escolha de se enfrentar com um imensamente maior e igualmente determinado inimigo”.

Nós acrescentaríamos que, não apenas Israel e seus amigos, mas também os demais regimes árabes temem profundamente uma explosão revolucionária. A mobilização revolucionária das massas pode abrir uma saída real. Uma saída que garanta um Estado laico em toda a Palestina, que garanta o direito de retorno dos refugiados palestinos, bem como os direitos de plena cidadania para judeus e árabes. Uma saída que aponte para a perspectiva de uma federação socialista dos povos do Oriente Médio.

leia mais sobre a luta do povo palestino em www.marxismo.org.br

clique aqui para ver mais fotos da manifestação na Av. Paulista

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Manifestação na Av. Paulista Constra os ataques ao povo Palestino

Manifestação na Av. Paulista Constra os ataques ao povo Palestino

Manifestação na Av. Paulista Constra os ataques ao povo Palestino

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