Juventude Revolução
 
breve histórico da fábrica ocupada Flaskô

A FLASKÔ E O MOVIMENTO DAS FÁBRICAS OCUPADAS

Os trabalhadores da Flaskô ocuparam a fábrica e a mantém sob controle operário há seis anos e meio para evitar o fechamento da unidade produtiva e a perda dos empregos.

Em 2002 os trabalhadores das fábricas Cipla e Interfibra, de Joinville, SC, pediram apoio ao então candidato à presidência pelo PT, Lula, pois encontravam-se em greve ante os atrasos de salário e a falta de recolhimento do INSS e FGTS. Estes trabalhadores ocuparam essas fábricas, passando a controlar a produção nesse mesmo ano. No ano seguinte, com Lula já eleito presidente, segue uma caravana desses trabalhadores para Brasília, que resultou na criação de uma comissão cooredenada pelo BNDES, para avaliar economicamente as empresas. Na volta da caravana, os trabalhadores passam pela cidade de Sumaré, em SP, visitam a fábrica Flaskô que se encontrava na mesma situação. Com o apoio dos companheiros catarinenses, inicia-se a ocupação da Flaskô e avança o Movimento das Fábricas Ocupadas.

O parecer da comissão que avaliaria as empresas foi de que elas eram viáveis, desde que o governo assumisse o controle, através da estatização, porém Lula nega-se a estatizar as fábricas ocupadas.

Inicia-se então, uma série de ataques políticos ao Movimento das Fábricas Ocupadas, sempre usando a máscara do poder judiciário e a justificativa do cumprimento da lei. Ataques que classificamos como inegavelmente políticos, porque as mesmas leis que os juízes fingem honrar são ignoradas quando sua aplicação poderia favorecer o Movimento das Fábricas Ocupadas ou o conjunto dos trabalhadores. Esses ataques incluem o corte de energia elétrica por 45 dias, vários processos judiciais, criminalizando o movimento e os membros da comissão de fábrica, entre outras formas covardes de afetar a continuidade da produção e da luta destes trabalhadores.

Mas a Flaskô resiste. Nesses seis anos e meio de controle operário demonstrou uma parcela do que pode acontecer se a classe parasitária dos patrões for jogada no lixo da história. Houve redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução de salário, enquanto no senado, o parlamento burguês mantém intocada a lei para redução da jornada de trabalho no Brasil para 40 horas semanais desde 1992. Foi construída uma vila operária, com 300 casas, no terreno da fábrica, em parceria com movimentos de moradia, em uma área, pertencente à Cipla e ocupada em fevereiro de 2005 por trabalhadores sem teto, apoiados pelos trabalhadores da Flaskô, sendo que netas terras, município, estado ou federação jamais dispuseram-se a construir casa populares.

Localizada em uma área também carente de alternativas de cultura e lazer, a Flaskô sob o controle operário aproveitou o espaço ocioso da fábrica para atividades de cultura e desporto, abertas à população local. Esta iniciativa, que atende hoje mais de 100 pessoas emparceria com a Associação Dib de Esportes, chama-se "Fábrica de Esportes e Cultura" e já permitiu inclusive a exibição da peça teatral "Homem Cavalo e SA", da companhia paulistana Estável. Neste dia, com a presença de vários estudantes e artistas de várias linguagens, foi criado o Comitê de Defesa das Fábricas Ocupadas e da Arte Independente.

Infelizmente a única fábrica ocupada sob controle operário que ainda resiste é a Flaskô.

Em maio de 2007, 150 agentes da polícia federal, fortemente armados, tomaram a Cipla e a Interfibra, empossando um interventor que iniciou uma perseguição política, demitindo os trabalhadores do Conselho de Fábrica e aqueles trabalhadores que os apoiassem, obrigando os demais trabalhadores a trabalharem sob a coação das armas e da intimidação. Hoje a CIPLA não tem mais que 300 trabalhadores, e na época do controle dos trabalhadores tinha mais de 800. E depois da intervenção, supostamente realizada para pagar as dívidas do patrão junto ao INSS, nenhuma dívida foi paga pelo interventor, aliás assessor do antigo patrão quando pilharam a fábrica e assaltaram os trabalhadores!

A Flaskô resiste, mas sofre ataques constantes. As penhoras do faturamento, que já chegaram a absurda conta de 250 % da produção, os constantes leilões do maquinário que são marcados, mais ações criminais promovidas contra o Movimento das Fábricas Ocupadas e seus coordenadores Serge Goulart, Pedro Santinho e Carlos Castro e Francisco Lessa, não tem outra função além de destruir essa iniciativa e evitar que a mesma sirva de exemplo a outros trabalhadores. Nas palavras do Juiz federal Sr. Oziel Francisco de Souza : "Imagine se a moda pega ?"

Se a moda pega, trabalhadores poderiam, por exemplo, começar a se perguntar porque juízes ganham pequenas fortunas, além de várias despesas pagas com dinheiro público (cuja origem são os impostos que o trabalhador paga), para sempre se manifestarem a favor de interesses particulares, ao invés de promover a justiça em nossa sociedade. Se a moda pega construiríamos um mundo sem patrões!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Greve estudantil na Califórnia

Fale com a Juventude Revolução: contato@revolucao.org