A Juventude Revolução foi fundada numa reunião por jovens estudantes durante a realização de um CONEB (Conselho Nacional de Entidades de Base) da UNE num contexto em que havia manifestações de jovens chineses na Praça da Paz Celestial pelo socialismo pelo direito à livre-organização e, durante a campanha de Lula para presidente em 1989 que mobilizou amplos setores da classe trabalhadora e da juventude e onde se fez e necessidade de se organizar a juventude numa organização autônoma a partir de nossas reivindicações e bandeiras de luta.
A Juventude Revolução é uma organização de jovens contra a exploração, a opressão e a guerra e na luta pelo socialismo no Brasil e no mundo. Nós surgimos da necessidade que todos os jovens tem de lutar pelos nossos direitos.
A Juventude Revolução foi e é solidária do movimento profundo que a classe trabalhadora fez no país ao se constituir o PT, a CUT, -na qual eram filiados alguns de seus organizadores-. A Juventude Revolução se constitui defendendo a necessidade de uma organização política autônoma da juventude, levantando as mesmas bandeiras erguidas na fundação do PT -educação pública e gratuita, direito ao emprego, reforma agrária, ruptura com o FMI e a dívida externa, solidariedade com os povos do mundo na luta contra o imperialismo e suas guerras.
Lutamos pelo direito da juventude ter um futuro de verdade sem guerras, drogas e violência. Queremos educação, trabalho diversão e arte! Por isso rejeitamos o capitalismo, sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção, que explora e oprime os trabalhadores e a juventude.
A Juventude Revolução se organiza através de núcleos nos bairros, fábricas, escolas, Universidades. Possuímos núcleos em várias cidades e estados do Brasil. Periodicamente organizamos o ENJR (Encontro Nacional da Juventude Revolução) na qual discutimos a orientação política geral da nossa organização para o próximo período, as nossas tarefas, campanhas e resoluções políticas. Nesse encontro nós elegemos os membros do CN (Comitê Nacional) que tem a tarefa de coordenar e articular os diversos núcleos nas várias cidades e estados.
Nos estados e cidades existem os Encontros Regionais da Juventude Revolução para se organizar a luta local, onde se elegem coordenações municipais.
Existe também uma Plenária Nacional de Coordenações Municipais da Juventude Revolução que é uma instância convocada pelo CN em que se reúne os representantes dos núcleos nos municípios para que se possam aprovar campanhas políticas em comum.
O CN (Comitê Nacional) edita um boletim nacional. Existem também boletins regionais e por núcleos. Há ainda o Boletim Internacional editado pela IRJ. A Juventude Revolução organiza também formações teóricas para seus militantes.
Toda a nossa atividade se baseia na livre contribuição de militantes e simpatizantes da Juventude Revolução, na venda dos boletins, camisetas, cd's, etc. Não dependemos e recusamos o financiamento por parte de governos, ONG's, empresas, Igrejas. Quem paga a banda escolhe a música.
Consideramos que a independência financeira é pré-condição para a independência política. Para termos uma política independente devemos ter uma política financeira independente, por isso nossas atividades são auto-financiadas pelos seus próprios militantes e colaboradores.
Ao longo da história os estudantes construíram Grêmios nas escolas e Centros Acadêmicos e DCE's nas Universidades para poder defender seus direitos como estudantes. No movimento estudantil e sindical a independência das Entidades significa que elas devem ser financiadas pela livre-contribuição de seus próprios filiados ou representados. Recusamos qualquer tipo de financiamento através de lanchonetes, comércios, repasses financeiros por parte de Instituições de Ensino ou governo, que desobriguem as Entidades de cumprirem seu papel que é de exigir o atendimento das reivindicações.
Somos contra qualquer tipo de política que leve à divisão das Entidades que deixam de exigir que as direções cumpram seu mandato, se abandonando a necessidade de unidade de todos os estudantes e trabalhadores para se conquistar as reivindicações.
A burguesia sempre procurou corromper as Entidades construídas pelos trabalhadores e a juventude procurando integrá-las em nome de um suposto "consenso" aos interesses dos patrões, dos donos das escolas, das reitorias e dos governos.
Por isso defendemos a independência dos Centros Acadêmicos, Grêmios, Sindicatos e demais Entidades de classe construídas pelos trabalhadores e a juventude para que elas cumpram seu mandato. Ou seja, a necessidade da unidade de todos os estudantes e trabalhadores para se defender nossas reivindicações.
No Brasil isso significa a defesa da CUT, da UNE, do MST e das demais Entidades e organizações dos trabalhadores e da juventude contra qualquer tentativa de integração por parte burguesia e dos governos.
Em primeiro lugar a falta de perspectiva da juventude, sem emprego, escola, saúde, lazer, é a base social que se apóia o tráfico de drogas. O "primeiro emprego" de muitos jovens nas periferias é o tráfico de drogas.
Nenhuma mercadoria no mundo garante tanta "rentabilidade" do que a droga cujo efeito direto é a destruição da força de trabalho e das forças produtivas. Cerca de 80% das receitas do tráfico são lavadas no sistema financeiro internacional (há cerca de 40 paraísos fiscais no mundo), os 20% são repatriados aos países produtores e, são divididos entre os traficantes que, fazem o papel de "gerentes".
Na Colômbia, Bolívia, Peru, Índia, etc, a destruição da economia local com a queda do preço dos produtos agrícolas, "estimuladas" pela abertura do mercado às multinacionais -política ditada pelo FMI- contribuiu para a proliferação da produção de drogas .
O tráfico de drogas é o grande negócio no capitalismo hoje que, com a proteção do sistema financeiro internacional (que precisa do dinheiro sujo) via sigilo bancário, faz com que seja impossível saber a origem dos capitais. No México após o Nafta, o dinheiro da lavagem do tráfico serviu para comprar/privatizar empresas estatais!
Mas, e a legalização?
Não existe "Estado-paralelo", o tráfico de drogas é o resultado da desregulamentação / privatização do próprio Estado, pois basta observar as relações entre o tráfico e o sistema judiciário, a polícia, os políticos, os governos, etc. Sob o pretexto de "legalização" das drogas a única coisa que será "legalizada" será o próprio tráfico, afinal interessa para o sistema financeiro "controlar" o montante de capitais mesmo que se faça sob a base da destruição das forças produtivas -a principal delas o homem-. A legalização não acabará com as máfias, pois o tráfico de drogas mantém relação com o tráfico de armas, de metais, órgãos humanos, etc. O outro lado da moeda é o pretexto da intervenção militar norte-americana para "combater o narcotráfico". No caso do "Plano Colômbia" os EUA anunciaram 1,6 bilhão de dólares para o país mas que, na verdade, esse dinheiro nem sairá do governo dos EUA, sairá das empresas armamentistas, que por sua vez demonstram a total ligação entre o tráfico de drogas e o tráfico de armas.
Reafirmamos que a solução para a questão das drogas não é de forma alguma o aumento da repressão policial. Lembramos ainda que a repressão que existe é determinada pelo caráter burguês e racista da polícia, sem contar que a polícia muitas vezes ajuda e é ajudada pelo tráfico. A repressão se dá contra os jovens da periferia por serem pobres, negros, etc. Jovens ricos usuários e mesmo traficantes dificilmente são presos.
Se o aumento da repressão não é a solução, a "descriminalização" também não é a solução, pois na prática fará com que o uso de drogas deixe de ser considerado crime. Com isso o tráfico terá maiores possibilidades de proliferação, gerando ainda mais lucros aos capitalistas. Um traficante pode por exemplo distribuir pequenas quantidades de cocaína para várias pessoas venderem, quantidades consideradas de "consumo", logo legais. Trata-se da mesma política que, implementada em Portugal, Holanda e Espanha aumentaram o tráfico e os lucros dos "narco-capitalistas"
A juventude quer emprego, educação, diversão e arte!
É necessário ser contra tanto o tráfico como quem o alimenta -o sistema financeiro-. Esta batalha está ligada à luta pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores e, por um futuro digno para os jovens.
Um setor expressivo do Imperialismo defende a legalização/descriminalização das drogas para melhor controlar o montante de capitais. Não é a toa que o mega-especulador George Soros tem uma ONG cuja função é propagandear a bandeira da legalização.
Ao mesmo tempo a Juventude Revolução, organização autônoma de jovens, defende a estatização dos bancos -começando pelo fim do "sigilo bancário"- ; a expropriação dos capitais oriundos do tráfico e da lavagem de dinheiro; o confisco para a reforma agrária de terras onde se planta maconha, etc. Lutar contra as drogas, produto da decomposição do sistema capitalista, significa garantir educação, emprego digno, lazer, etc. Ou seja, romper com a política do FMI e da dívida externa.
Por todas essas razões a Juventude Revolução é contra as drogas, instrumento do imperialismo para se destruir materialmente e fisicamente a classe trabalhadora e da juventude.
A Juventude Revolução defende a educação pública para todos, financiada integralmente pelo Estado.
O direito à educação é o direito ao conhecimento produzido pela humanidade. Lutar contra a marginalização social significa lutar para garantir aos trabalhadores o acesso ao ensino de melhor qualidade possível. Esse direito foi conquistado com muita luta pela classe trabalhadora no desenvolvimento do capitalismo.
Para nós a educação pública e gratuita é uma trincheira a ser defendida. Por essa razão a Juventude Revolução é pelo fim do ensino pago. Educação é um direito e por isso dever ser garantido. Nossa tarefa é defender e ampliar os direitos arrancados sob o capitalismo - a gratuidade, a obrigatoriedade do Estado, o ensino laico (separo da religião) e a universalização em todos os níveis.
A Juventude Revolução se coloca em defesa do emprego e dos direitos sociais e trabalhistas que a classe operária arrancou durante a luta histórica contra seus opressores em todo o mundo.
Defendemos para a juventude um trabalho de verdade com carteira assinada e todos os direitos assegurados.
Não aceitamos que o imperialismo e sua política de destruição dos postos de trabalho atire a juventude a condições de vida degradantes como o trabalho infantil, formas de trabalho precário, "bicos" e estágios sem direitos. A ausência de emprego e políticas públicas para a juventude tem como conseqüência o tráfico de drogas, a prostituição e o aumento do número de chacinas e assassinatos entre os jovens. Por tudo isso a Juventude Revolução reafirma suas bandeiras por emprego, educação, diversão e arte.
Você que não suporta mais ver tanta opressão e injustiça, organize-se para lutar, para fazer a revolução! A Juventude Revolução oferece seu espaço para você se organizar para poder defender seus direitos.
A adesão a nossa organização é voluntária e esperamos contar com você nesse combate.
Aprovado no 8º Encontro Nacional da Juventude Revolução

